Como essas fontes um dia jorraram? - vocês não entenderam jamais. |
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Como essas fontes
que um dia jorraram? não entenderam jamais. O asco do muco sujo, de
canto da boca; mais forte que o ódio dos homofóbicos, mais tolo que
os amantes misóginos, mais sínico que a relação empregado e
empregador, mais inflamado que o meu dente ciso. Eis que tal forças
mórbidas concentradas não mensuram o que foi sentido, não projetam
mais meu tempo em escrita-vício, talvez por não acreditar em maturidade, talvez por
tristeza ter aplacado a melancolia, talvez ter a vida em tons pastéis
por tempo indeterminado contornaram esses momentos, talvez por
escrever sem mostrar nada novo, que seja uma raiva nova. “Enquanto
estava defecando, pensei que por meio desta carta singela, pudesse
musicar meus sentimentos em seus pensamentos vagos, com letras
suavemente borradas, sublinhadas, Amor.” É, poeta… tragado mais
uma vez por sentenças pobres e palavras opacas.
A mesma, sempre a
mesma variante de opressor e oprimido, isto se repete, por isso, e só
por isso, por saber que um dia esses desejos serão vividos, e com
prazer serão cumpridos, em um ambiente totalitário, estamos vivos. Por toda essa irritação em tons pastéis, eu me repito mais uma vez, mais uma vez me
repito, Amor. Eu entendo, tudo isso é simbólico, toda motivação é
caótica e incontrolável; como sua vontade de cozinhar para alguém,
como sua sede por ver sorriso e por isso fazer piada, como jogar
videogame, buscar música, como pintar quadros, ouvir música, como
fumar e enquanto conversa com os amigos, como viajar para arraial,
como dirigir em estrada; como ler e ver coisas belas ou sujas, mas
verdadeiras. É motivo, como tudo nesta vida, como dizia Roberto
Freire, sem tesão não há solução.
O bem adaptado
cidadão, o que escreve sem razão, o que escreve pois será pago ou
será metido, a transcrição comovida pelo nada; fome de viver
curada com culpa. Enquadrado.
No oposto disto, vem
o malandro inquieto. Sempre inquieto, ele é o alvo carregado de
pesos dos acontecimentos. Acabou a alegria, mas dar-se inicio
motivado, do combate ao gozo por viver.
Ele sempre tira um sarro. Ele é jovem.Tweetar
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