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segunda-feira, 2 de junho de 2014

Os motivos

Como essas fontes um dia jorraram? - vocês não entenderam jamais.

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Como essas fontes que um dia jorraram? não entenderam jamais. O asco do muco sujo, de canto da boca; mais forte que o ódio dos homofóbicos, mais tolo que os amantes misóginos, mais sínico que a relação empregado e empregador, mais inflamado que o meu dente ciso. Eis que tal forças mórbidas concentradas não mensuram o que foi sentido, não projetam mais meu tempo em escrita-vício, talvez por não acreditar em maturidade, talvez por tristeza ter aplacado a melancolia, talvez ter a vida em tons pastéis por tempo indeterminado contornaram esses momentos, talvez por escrever sem mostrar nada novo, que seja uma raiva nova. “Enquanto estava defecando, pensei que por meio desta carta singela, pudesse musicar meus sentimentos em seus pensamentos vagos, com letras suavemente borradas, sublinhadas, Amor.” É, poeta… tragado mais uma vez por sentenças pobres e palavras opacas.

A mesma, sempre a mesma variante de opressor e oprimido, isto se repete, por isso, e só por isso, por saber que um dia esses desejos serão vividos, e com prazer serão cumpridos, em um ambiente totalitário, estamos vivos. Por toda essa irritação em tons pastéis, eu me repito mais uma vez, mais uma vez me repito, Amor. Eu entendo, tudo isso é simbólico, toda motivação é caótica e incontrolável; como sua vontade de cozinhar para alguém, como sua sede por ver sorriso e por isso fazer piada, como jogar videogame, buscar música, como pintar quadros, ouvir música, como fumar e enquanto conversa com os amigos, como viajar para arraial, como dirigir em estrada; como ler e ver coisas belas ou sujas, mas verdadeiras. É motivo, como tudo nesta vida, como dizia Roberto Freire, sem tesão não há solução.

O bem adaptado cidadão, o que escreve sem razão, o que escreve pois será pago ou será metido, a transcrição comovida pelo nada; fome de viver curada com culpa. Enquadrado.
No oposto disto, vem o malandro inquieto. Sempre inquieto, ele é o alvo carregado de pesos dos acontecimentos. Acabou a alegria, mas dar-se inicio motivado, do combate ao gozo por viver.
Ele sempre tira um sarro. Ele é jovem.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Tempo nos amores vagam.





Quando Zé encontrou Maria o mundo já não era tão simples, a ordem não estava sobre a mesa e as informações eram tantas que a menção em refletir era apenas um momento de escapar. Quanto custa estar ao seu lado, pensa Zé; o amargo dissabor de flutuar sob holofotes das diferenças e contrastes que os padrões podem causar. O músculo que rompe essa condição é o mesmo que o torna motivado a tentar e testar. Zé, por vezes pego pela agonia das perdas de outrora, envolvido pelo gozo da perspectiva, a espera paciente e ingênua da pulsante energia insurgente em suas letras, encontra o que nelas refletem o nirvana, ressurgindo no bem estar de viver. Tomaria várias cervejas com você, pensa Zé. Tão simples quanto o nome de ambos, paradoxal ao universo que habitam, eis que emerge o natural e inequívoco sentimento, ambíguo como bem e mal (Nietzsche) tomando posse do homem: Amor.


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Passaram-se tempos


- Quando me descobri magro, me descobri opaco, com suas formas perdidas, seus voos desastres. Antes de começar a me repetir, começo a me iniciar no pleonasmo, como prova de meu amor por você, como tal clichê. Quando me via em ti, pedia o chão, pois o que mais queria era ter o reinicio constante desta torpe paixão. Nos momentos sitiados pela incerteza, vislumbro o porto seguro do seu coração; mas o gozo chegou ao fim. Inicio minha casa, eterno recomeço, todos os caminhos dão no almoço e jantar; ao acordar, ao estudar e labutar. Torto sentido de estar, tosco modo de estarem, todos partindo daqui, todos com custo de vida, todos com peso do mar, todos perdidos sobre morte, todos revisam a parcela da dor e pulsam regendo o pavio aceso a queimar.



quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Pílula da Felicidade (ou ''Quando aprender a não julgar, aí então serei perfeito")







Pegue a sua verdade e remoa. Mastigue, engula e se entupa de verdade. 
Rumine.Regurgite.Vomite sua verdade. 
E passe adiante. 

Pegue então a verdade que te chegue. Repita cuidadosa e pacientemente 
todo o processo:
Mastigue 
Engula 
Se entupa. 
Rumine.
Regurgite.



Vomite sua verdade (ao próximo)

Até que sejamos todos nus de verdade.


sábado, 16 de novembro de 2013

De 1927 até o fim.

                                                    
                                                      " Fervor, tremor e outros souvenires"



O jeito solto não combina mais com ele, aquela ânsia de sempre colocar a escova perto da pasta soava como um TOC.  Quando estavam longe era foda, era o mesmo pavor que sentia em momentos de insegurança em um lugar estranho e barulhento. Por via das dúvidas, sempre colocará o celular em estado de alerta permanente, pois sabia que com o enviar de mensagens sua dor era amenizada, suas células respiravam; era como um analgésico potente, algo como morfina, ou aquela dose que deixa a boca dormente, com lábios caídos e insensíveis, pronto pra ser obturado.

A culpa que sentia era tamanha, que o homer (hombre) não conseguia mais grudar o ânus quieto em uma cadeira, a mesa de bar era como um câncer maligno que separava os seus pezinhos grudadinhos com de sua amada.

Como classe dominante, detentora dos meios de produção, esfinge da produção econômica, rica em proteína. Em seu (in)verso encontra-se o proletariado, pastoso, serviente. Culpado por escola e religião. Maltratado e submisso, no entanto, imensamente criativo e multicultural. 
No conluio desta tendência, pega carona a incoerência coexistente de viver e sobreviver, vivendo o sol, convivendo por essas chuvas, transmutando, perdurando, irritando, destruindo e construindo tudo de novo.
 

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

O Congelar do malandro




                                                      - Todos os sinais levam ao mesmo lugar.


Homem de lata morre entre esgotos e vias em meio a sua poluição astral; como vivem pedindo sentenças e mandados impetrados dessa aflição, Homem de lata se restringe em seio esplendido da dor de um mundo oco, tal qual o seu coração.
Como se não bastasse, o mesmos passos são seguidos, e assim forma-se do outro lado soturno, mais uma legião destes, que esperam acesos raiar mais um dia, mesmo que seja pálido o dia; via-se raios como oferenda ao novo turno que se segue, feito um bastião.
Parte da mazela mora ao lado, conflitando entre a sala e o quarto, prazeres bobos e saias vil. Começo a entender a maturidade, ela passa por perto e despeja em você tudo o que foi construído.

Como prova do desgaste, arraste os períodos todos de novo, veja em seu nome uma menção do município, chamado: acaso de lata; neste, não acontece nada, não encerra-se nada, não perdura sorte, apenas se encontra as coisas, coisas, coisas, pessoas, coisas, coisas, pessoas que são coisas.

 

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Toda prosa



  A poesia está onde habita a vida. E muito, muito mais além. Sei que acima de tudo está aqui, e em tudo o que toque a bela, escura tinta do seu olhar. Em cada som mastigado por essas cavernas pequenas de tuas delicadas orelhas. 


   Também nas doces olheiras onde, as memórias encerradas, desenham a maquiagem delicada da viagem que não houve (mas para a qual te preparastes com esmero). Tuas sempre irresolutas decisões. Teu destino ainda por alcançar. Cada palavra vaga flutuando no espaço silencioso do caos que te abraça, e é mui doce o frescor de cada palavra inventada só pra te definir. Muito mais ainda, em toda a ternura que te cerca. 

          
   Mesmo na mais aguda dor, toda tua altivez, vinda como que do teu peito de fêmea apenas possível e para a qual não se soube ainda criar adjetivos, me alcança e emudece. De que valem afinal as palavras? Eis então que abrindo os olhos não mais te vejo. Como ausente estás e qual doente soluço, sem ar. Teu toque macio e gentil me alcança e eis que em meu peito, aliviado, o coração estanca. 

                                                                     *     *    *

   Vejo mais amor nas ruas, nas placas, nos carros. Mais alienígenas e alienados. Julgo estar em paz. Mas afinal, que homem pode em sã consciência ser juiz de si mesmo? Ouço da sala tua aura serena e antecipo em sorriso que estou nos domínios de teu sonho (Tão sereno teu semblante).

   Pois de tudo me impressiona que dentre tantos loucos e tantos santos, muitos bravos e algum, claro, covarde, foi a mim que escolhera. E a mim te cabe cantar, numa balada retumbante para que saibam todos os covardes, todos os bravos, os santos, e ora, claro, cada louco que a mim me tocas. E é minha tão somente a obrigação de reparti - la em sorrisos e beijos. Como se a cortasse c'os dentes e cuspisse a terra a semente donde hão de vir teus frutos. 

   Temo não ser capaz. Mas te olho, branca Penélope repousada a esperar por mim e então eu sei que tudo posso. Fortalecido me debruço sobre ti e abraço minha vocação. E quando caio em si, percebo: Estou mais eu do que nunca.



terça-feira, 25 de junho de 2013

Guardo Um Sorriso Pro Fim?

Eu sou raça humana. Não sei de orgulho, tão pouco amor.

É, hoje é difícil. Tantas meias palavras da vida nessa narrativa de leitura horizontal muitas vezes confundida com romances russos (inspira, expira). A vida imita a arte nesta tragédia que é se ver sempre pelos próprios olhos. Das torres de marfim se canta com tanta empáfia o hino da bandeira embebida de humor amargo (prisão kafkiana de epíteto existência). Xinga-se a calça alheia de causas curtas. Veta-se com os punhos direção enquanto é, impetuosamente, empurrado por costas quentes. É covarde o suficiente para ouvir. O grito de socorro é sempre o mesmo.
O quadro psicológico é fundamentado por Rorschach no papel sujo de merda. Se quiser cura dos desejos infames, a vacina é em prece. Enquanto deus está morto e o homem não sabe tomar conta do legado, o secularismo é sequer posto em pauta. Filosofia chega a lugar algum.
Ao passo que a história não conta, o sorriso é desamor.

O futuro é uma criança a brincar num parque onde o presente é rei.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Sono

 Life is not forever(yone)

O som do despertador, para mim, é sempre uma alusão a gemidos infernais. Odeio acordar cedo. O relógio grita a hora mais imprópria; a do atraso. Tudo é tão pouco perto do não visto. E será que verei, em meio as sovas do tempo que abre o olho roxo do destino, a vala comum dos nossos corpos mortais? Afinal do que somos feitos senão de sonhos finitos?
No caminho para o trabalho um homem brada dentro do transporte público que vê a multidão, mas se sente só. Ele ainda acrescenta que somos espécies sinantrópicas da nossa própria solidão.
O mesmo homem ao fitar o meu desgosto - estresse usual - me fuzila com seu dedo indicador e diz:
 - Enquanto você finge que me ouve, os cofres estão cheios de contradições, a educação não salva mais a alma do inquieto, os rombos fiscais são vistos inimigos maiores do desenvolvimento. Mas só te vejo aí, sentado. Julgo-te oco por vontade. Tu és mentecapto por comprazer. Um dia encontrarás a redenção da tua vida num tropeço de uma mesa de bar ou num beijo qualquer. Aí então, meu desalmado rapaz, tu estarás aqui em meu lugar.
E ele continua:
- Creias que eu seria o primeiro a defender a tua essência se eu pudesse vê-la. Foste plasmado por um deus carnavalesco e egoísta. Tu viste o pão folheado a ouro na apoteose? Tu vês as tuas mãos sujas ao pô-las na consciência enquanto esperas por súcubo - aqui uma livre interpretação - na noite, para te (t/d)omar a vontade? É, o amor deixou de salvar a vida, Neruda não faz mais sentido para você.
Conclui então o homem dando tapas em sua própria face:
- Acorda! É difícil. Vai ser foda. Mas vai ser! Pois eu sou também você, por quem os sinos dobram!
De mesmo modo me pego esbofeteando a cara, enquanto os sinos dobram, dobram... o despertador toca, toca... e eu não consigo acordar.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Compêndio

Com o perdão da repetição...

No início, assim sujeito, se vê a criatura. Matriz oca a se originar o conceito. A palavra engessa as idéias, limita-se a condição da imagem ao que o nome carrega. E você vai sendo inominável - inefável - pela fluidez de seus movimentos, pela vontade dos teus (an)seios, dando sinal na estrada das paixões. O hedonismo é carona no manifesto contra as amarras. É tudo que somente o teu corpo pode explicar. Pintaram um afresco teu no muro dos portentos.
Teus amantes, todos traídos pela internalização do teu pai - talvez Jung ou Freud tenham uma teoria melhor - seja mesmo ele cristo ou diacho, persignam-se em lágrimas salgadas e em soluços litúrgicos devotam ao teu templo nu.
Entretanto o Tempo, deus impassível e verdade, devorador da tua imortalidade define o espaço - do tamanho de um quarto onde divides o ar com teus troféus, arquejando sem efeito  - deformando tudo, outrossim, o teu sopro ontológico.
E na origem a imagem zomba do conceito mesmo sem a idéia da própria conclusão.
Não obstante, a letra sempre me puxa o signo quando apelo à escrita.
A tua diferença sustenta qualquer semelhança. E como pássaros que explodem ao chocarem-se com edifícios que antes não estavam alí, você reitera a minha existência.
E o fim é nada mais que o teu nome.


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Rocket Science

peebleslab.com

Um cigarro que tentei fumar ficou aceso no parapeito da varanda. Daqui de onde moro é tão alto que posso ver as linhas vermelhas e amarelas que os automóveis encadeiam à noite, contornando a ilha que nenhum homem é por si só. John Donne e sua parte nesse todo imortaliza a necessidade do homem pelo homem. E eu te necessito, ó estrela de grandeza não constatada, de brilho invisível. O rosto é contraído pelo fulgor da tua passagem. Queria eu um coração de um suíno, pois além da semelhança e da possibilidade, ver-te-ia não mais que um algoz que da minha carne faz a tua refeição.
O amor perde a vontade em sua divisão. O definido é indefinido, pronominalmente um qualquer.
Conjeturo, às vezes, como uma cena de um filme, onde em plano sequência nosso diálogo é visto da perspectiva do resto do mundo numa praça - meros coadjuvantes do nosso momento - e eu digo que voltei porque vi naquela fotografia a lhanura do teu olhar à quem estava por trás da câmera no instante da captura. E como alguém que muito longe de casa xinga em sua língua-mãe de saudade, te beijo mesmo antes do close final. E os créditos passam despercebidos.
Deliberadamente deixo o cigarro cair da varanda, pois eu não fumo e a fumaça já me incomodava. Mas é que eu sempre achei fascinante o jeito como você fuma os teus.

Atenção! Texto em itálico. Segurem-se; inclinação piegas à vista:
Talvez a ciência dos foguetes seja menos complexa que a do teu amar.

domingo, 26 de agosto de 2012

Chuva

Ecce Homo e piegas metáforas sobre a restauração do amor

Queria eu que a torrente dominical, em toda a sua representação gênese - essa brisa anímica que me bate - lavasse não só a semana que passou, com todos os seus pesos e rastros; mas também a tua insegurança que vela sobre o cadáver da nossa conclusão.
Se por um triz fomos, sem querer, tamanhos, perante o medo dos abismos medidos com os beijos de tantas ilusões, por que não acordar sobre uma corda bamba, enquanto a tormenta passa chamando tua vida pelo nome?
Se eu pudesse adjetivar, em um só predicado definir-te: Vontade seria. Pois isso tens pulsando nas artérias de um coração contumaz. Isso é o que me faz desejar não por singelas vias, mas por, quiçá, talentos latentes, pintar afrescos renascentistas representando a tua beleza; produzir concertos, nos moldes de Pachelbel ou óperas como Puccini - leigamente julgo-os referências - patenteando o meu anseio por ti; 'pelicular' cinematograficamente, com orações a Godard e Truffaut, as intempéries da nossa história.
Ao passo que nunca serei, mas sempre estarei sendo, faço jus ao meu relapso senso de direção e pelas veredas da tua incompletude me guio sem foco, olhando tanto para trás, me mantendo aos tropeços nas linhas tênues do teu querer, açodado, pelas poças que se formam do que mana da tua libido, arrebatado pelo que tua boca sopra para suster a minha memória fugaz.
Por tudo o pronome possessivo impera pelo ar, cordas vocais, língua. Vai tanto de encontro a realidade que é real agora eu me encontrar tão teu.
E que sobre esse céu cinza. 

Sinapses

segunda-feira, 26 de março de 2012

Mais Pesado Que o Céu

 Vou comprar cigarros e já volto.

Abrirdes os olhos, ó primatas degenerados!

Faço do erro minha morada. Já nem posso mais rimar meus escritos. Eu só sei do título, o corpo deixou de me pertencer.
A fragilidade vai se agarrando as bordas de qualquer forma de afeto, alimentando o animal feroz do instante. É o pecado na devoção. O altar vazio por debaixo dos lençóis sujos de solidão.
Ídolos foram derribados por canonizar o néscio e o vil.
O herói morreu em uma guerra que jurou não lutar.
O grito é para a multidão surda, que aos beijos com seus amantes, só enxergam as próprias pálpebras.
As narinas suplicam uma altivez inexistente - cuidado com as estrelas! - a ressaca é também moral.
Eu só sei do que vivi. E pois sim, o que vivi, não vivo mais.
E me encontro onde tudo começou: no fim.
O que rodeia... rodeia... odeia. A imperfeição é estimulada pelo desejo da perfeição.
É como esperar o sinal de alguém para descer de um ônibus e ninguém o fazer. Mas é aqui onde desço.
Esperei, na tarde laranja que remetia tanto a infância - os primeiros sabores das coisas - por esperança. E os óculos escuros eram para não me encontrar aos olhos tíbios.
A caneta é como um cano quente de uma arma e o papel minha cabeça.
O devir é interrompido por trepadas. A teoria da liberdade afugenta os sonhos. E o gosto é só de cinzas e batom.

Nossa,como você engordou!

domingo, 25 de março de 2012

Clarear





Tudo que escrevi pra ti morre agora no tumulo fresco da caricata juventude pueril, pingada em avisos de um velho, que sou, permeados pela alma de um sonho, uma vida, da qual só resta a vergonha maltratada pela tristeza de te ver sozinha, crua.
Timidez de um sorriso, felicidade impregnada em falso rancor, morte de um olhar amante, bobeira pra quem vê em dinheiro felicidade, em trabalho um abrigo. Preceito divino, matar pra viver, raiva sim, por amar tanto.

Te transformo, como um artesão, ódio em paixão, aos seus olhos languidos, meço sua dor, mas tú não enxergas em minha raiva o meu amor.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Quid Pro Quo

Dois, para mim, é barroco.

Hoje o dia é nublado e da tua cama não vejo nada além de cinza. Nas tuas costas, com a ponta de um dos dedos, escrevo um nome, que perpassa as dobradiças da tua janela e beija a boca quente de um passado nem tão passado assim - como um rabisco no canto de um papel em uma aula maçante; como uma inspiração notívaga, que por preguiça não tomas nota, na confiança de que no amanhã ainda viverá na memória.
Sempre vi vilãs as pessoas que me afligiam. Mas será que não sou eu o antagonista, vivendo da ventura do que sinto por dentro das calças?
A tua respiração me agulha como trompetes e fliscornes nos ouvidos de um cão. Cão que ladra na noite silenciosa para ouvir como resposta o eco de seu próprio latido. E assim fico, tentando fazer todo o céu lá de fora caber na ponta do meu polegar, enquanto o teu corpo me queima a pele neste frio cortante e o cheiro forte de suor do teu travesseiro me inquieta.
Ponho tudo em pratos limpos, faço a mesa, mas não quero ouvir o tilintar dos talheres. Porque me lembra uma festa que esqueceram de me convidar: um banquete para poucos, onde a essência tira o gosto de indústria dos alimentos, onde não há espaço para a sobremesa.
E como sói acontecer, parto, sabendo que voltarei, pois esqueci meus cigarros na sua varanda de onde me assistes partir sem um sorriso sequer.

Nada como uma boa desordem pondo as coisas no lugar!

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Dose


Cantemos, mão direita no peito, o hino da esperança!

A conta-gotas a frustração pinga nos olhos inertes. Imóveis ao terror intangível de ser. Ininteligível ao gosto acre e doce de um mesmo sorver. Pois a boca já não sela nada, nem mesmo os mais tenros beijos de adeus.
Seja no alívio etérico ou em uma recente aquisição - lacônica versão de si em concupiscência - pinga, sempre, a frustração.
Ficar e dizer, sem medo de ser infeliz. Viver tudo o que caiba numa caixinha de fósforos. O sorriso de canto de boca é a centelha dos palitos que restam. Quisera a existência estudar o caso.
Quando no altissonante impacto das novas razões com os muros da própria história, é líquido, para escorrer pelos poros dos planetas que alquebram pelo fulgor tácito. E goteja.
Então, preocupa-se com o colesterol alto, as veias anímicas, o contracheque e com o sorriso da fotografia.
E hoje, envolve o iminente. Pômulos corados, entregue ao rateio, pingado em cada olho, o que nós já sabemos. 

Bola de neve para mim é sorvete!