quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

O alfabeto de Vênus: Linhas gerais


Tracei uma linha. Uma reta ligando dois pontos na tela negra da noite escura. Não satisfeito fiz mais: outra, e então outra e, por fim, lia teu nome, silencioso e doce ali onde ninguém mais te poderia adivinhar. Minha onde eu e apenas eu, egoísta e solitário como sempre, te posso encontrar.


Sei que se apagará um dia, tão logo não possas mais mirar a luz que vem do frio distante e infinito que te dou. Até lá poderás divisar o que é teu, pois que para ti hei riscado, com meu olhar perdido e a ternura imensa e insondável do que agora sinto. Tão líquido e tão certo quanto o breu do espaço e tão teu como meu pensamento apenas. Preste atenção nessas linhas e há de me encontrar, noite após noite.


Minha angústia reside em saber que nada nem ninguém te poderá ensinar meu alfabeto;ainda que a ti entregue, te dando minha alma e a poesia minha sei que tomarás pouco menos do que a ti te toca. Talvez nem isso sequer. Mas pouco importa. Já pela manhã eu mesmo não devo mais encontrá - la, ofuscada na luz branca do cotidiano. Não que lá não esteja. Apenas não se pode percebe - la descalvada e bela como fora noite passada.



segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Dedimar, Feliz natal!




Faça o dobro, faça de novo, mais uma vez, vomite, coma o vomito, almoce de novo, jante outra vez, custe, seja custoso, novamente, pule, corra, atingindo o melhor do batimento cardíaco. Chore e grite cinco mil vezes.
Ele é feliz, todos sabem disso; sua mãe, vó e Tia, todos sabem que sim, sorriso encantador... para isso, o garoto realiza tudo que faz em cinco mil vezes sem parar para pensar; o mesmo é orador e engenheiro, faz tudo em alto e bom som, bom volume musical, encorpado, muita energia, redobrada atenção, gesticula, nova atenção, mastigação demorada, retorna, apresentando-se, progredindo mil vezes, não esta bom, sem satisfação, irrequieto, chafurde ia-se em ralos sujos em busca de diversão.
Dona Dedimar, avó do sujeito, chama-o para a ceia, após um ano sem rever o peste envelhecido, carinhosamente, homenageia-o com palavras doces e meigas, de uma senhorinha vovozinha fofinha, dedicada ao lar. Pois é natal, todos estão à mesa, todos querendo refletir, todos querendo ajudar e todos seguindo bons valores.
…Eu sei, tia, é tudo muito repetido, essas coisas são assim, não vejo graça nisso. Vire-se e vire-se várias vezes, sempre com esse vocabulário sem boas nuances, não vejo ligação entre essas palavras.
Todos na rua são assim, é por isso que sou infeliz no natal, não dou valor pra essas vidas, para os nossos sonhos irrealizáveis, essa data não me torna capaz de ser feliz, portanto, obrigado pelas meias e palavras.

domingo, 16 de dezembro de 2012

Compêndio

Com o perdão da repetição...

No início, assim sujeito, se vê a criatura. Matriz oca a se originar o conceito. A palavra engessa as idéias, limita-se a condição da imagem ao que o nome carrega. E você vai sendo inominável - inefável - pela fluidez de seus movimentos, pela vontade dos teus (an)seios, dando sinal na estrada das paixões. O hedonismo é carona no manifesto contra as amarras. É tudo que somente o teu corpo pode explicar. Pintaram um afresco teu no muro dos portentos.
Teus amantes, todos traídos pela internalização do teu pai - talvez Jung ou Freud tenham uma teoria melhor - seja mesmo ele cristo ou diacho, persignam-se em lágrimas salgadas e em soluços litúrgicos devotam ao teu templo nu.
Entretanto o Tempo, deus impassível e verdade, devorador da tua imortalidade define o espaço - do tamanho de um quarto onde divides o ar com teus troféus, arquejando sem efeito  - deformando tudo, outrossim, o teu sopro ontológico.
E na origem a imagem zomba do conceito mesmo sem a idéia da própria conclusão.
Não obstante, a letra sempre me puxa o signo quando apelo à escrita.
A tua diferença sustenta qualquer semelhança. E como pássaros que explodem ao chocarem-se com edifícios que antes não estavam alí, você reitera a minha existência.
E o fim é nada mais que o teu nome.


sábado, 15 de dezembro de 2012

Ho Ho Ho... (Ou 25 motivos pra odiar o Natal)


Se tem alguém que odeia o Natal, esse cara sou eu. Entre os dias 24 e 25 uma aura de magia e milagre parece tomar o país inteiro, que se torna uma grande Cachoeiro (Tradicionalismo familiar, calor intenso, arrotação de farofa e Roberto Carlos a granel). Pode ser que eu seja naturalmente velho e emburrado, mas.... não sei. Simplesmente detestável. Então vamos lá, com os nossos 25 motivos para odiar o Natal:

-A velha piada do "É pavê? Ou é pa comê?"

-Presentes compulsórios


-Abraços (melosos e melados de suor) compulsórios

-Sorrisos compulsórios

-Parentes que nunca participam da sua vida, mas que uma vez por ano vem trazer a solução de todos os seus problemas e um pacote brega de sabonete da Natura

-Hipocrisia (resume quase que tudo)

-Calor intenso

-Amigo x (e toda a intensa rasgação de seda que vem no bojo)

-Muito calor

-Papai Noel (Velho batuta)

-Crianças macacas correndo como se o mundo fosse acabar (incluindo aquele amiguinho do primo do Luquinhas que veio ninguém sabe de onde)

-Já citei o calor? e o calendário gregoriano? 

-Os ursinhos da coca - cola

-Pisca - pisca musical 

-Árvore de Natal (usualmente cheirando a guardado)

-Sentimentalismo barato

-Subversão dos reais valores cristãos (exaltação a) 

-Esssssstomazil

-Acidentes nas estradas

-Especiais de fim de ano (Tinha um da Xuxa com criancinhas comendo lixo que me assusta ainda hoje)

-Decoração de Shopping (que fica ainda mais lotado nessa época)

-Caixinhas de Natal

-"Promoções" de fim de ano (que adoram sugar seu 13°)

-"Espírito Natalino"

- E claro, jamais poderia deixar de citar o último mas não menos importante - O meu amigo (Vaaamos aplaudir) : 









sábado, 8 de dezembro de 2012

Memórias mascadas de uma mulher que já fui




Qualquer pedaço seu hoje me deixaria tão feliz...

Qualquer fio, qualquer migalha. Hoje tudo o que toco ou vejo tem um pouco de você, mas nem sei dizer se depois de todo esse tempo isso tudo faz sequer algum sentido. Mas as páginas riscadas, canções outrora tão significativas, nossos lugares especiais, tudo já foi tão diferente do que vejo andando nessas ruas tão molhadas de suor!

Sou outro de você. Sempre e a cada instante, já que o rio nunca para, por mais que aparente não sair do lugar. Meu batom, gasto até não mais poder, após todos esses anos, conserva ainda o seu sabor. Tua gravata ficou esquecida, largada ao lado duma meia puída desde aquele frio janeiro em que me vi só.

Tudo passou, estou bem hoje. Mas bem queria não estar. Hoje só posso pensar que todo o prazer desse mundo me traria qualquer um fio, migalha, pedaço. Qualquer coisa.
Sua.


quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Rocket Science

peebleslab.com

Um cigarro que tentei fumar ficou aceso no parapeito da varanda. Daqui de onde moro é tão alto que posso ver as linhas vermelhas e amarelas que os automóveis encadeiam à noite, contornando a ilha que nenhum homem é por si só. John Donne e sua parte nesse todo imortaliza a necessidade do homem pelo homem. E eu te necessito, ó estrela de grandeza não constatada, de brilho invisível. O rosto é contraído pelo fulgor da tua passagem. Queria eu um coração de um suíno, pois além da semelhança e da possibilidade, ver-te-ia não mais que um algoz que da minha carne faz a tua refeição.
O amor perde a vontade em sua divisão. O definido é indefinido, pronominalmente um qualquer.
Conjeturo, às vezes, como uma cena de um filme, onde em plano sequência nosso diálogo é visto da perspectiva do resto do mundo numa praça - meros coadjuvantes do nosso momento - e eu digo que voltei porque vi naquela fotografia a lhanura do teu olhar à quem estava por trás da câmera no instante da captura. E como alguém que muito longe de casa xinga em sua língua-mãe de saudade, te beijo mesmo antes do close final. E os créditos passam despercebidos.
Deliberadamente deixo o cigarro cair da varanda, pois eu não fumo e a fumaça já me incomodava. Mas é que eu sempre achei fascinante o jeito como você fuma os teus.

Atenção! Texto em itálico. Segurem-se; inclinação piegas à vista:
Talvez a ciência dos foguetes seja menos complexa que a do teu amar.

ESPAÇO JOHNNY D.: OSCAR NIEMEYER. IN MEMORIAN


quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Fado e Tango social.


O jovem Alpatico ansiava por inventar novos rumos, outro futuro, pequenas portas lhe esperavam, mesmo assim ele reagiu, começou com atitudes invariáveis no tempo. Sentado na janela, a contento, pensando no desdobramento perfeito, quieto, não sabia, aquele seria o passo para o invento. Tratou de observar os tratores barrentos que adulteravam estradas e monumentos não oficializados, observou os arredores intrincados, com aparência velha e caída; toda bela arquitetura era largada. Depois de um cigarro, entrou em contato com a energia que restava, visto que auto conversalhava-se, pois precisara de um motivo para não perder o foco, este era seu último cartucho para o nascimento de uma nova vida, sem passar pelo setor inseridor de rótulos eminentes. Sobrevoou o vulcão, quebrou canos, fisgou peixes, abriu buracos, viajou o mundo, cagou na laje, sobrecarregou o próprio fígado, perdeu dinheiro, gastou a retina e recebeu novas missões. No entanto, com 24 anos, pediu para ser sacrificado, descabeçado mesmo. O outro amargo observa ,que a cada dia que passa, Alpatico se parece mais com aquela arquitetura morta, velha e caída; que os tratores passam, respingando barro em suas caras em uma inércia sem fim, contudo, inserido no mundo ordeiro, eis o cordeiro.


Sinto o suspiro fático das vias vidas sofridas, ao par, em tantos momentos de sofismo, pouco desespero.


domingo, 25 de novembro de 2012

Momento Goebbels.

Então rapazeada, o verão está chegando aí, né?

Aquele  que seguiu a cartilha da juventude hitlerista não seria tão diferente daquele que segue a cartilha moral da juventude contemporânea.

Segue o vídeo:
http://vimeo.com/34131364

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Esse é seu guia, não se iluda!





Em vernáculos, com lágrimas dito a sua ausência, começando por teu sorriso tingido, ao te ver em papeis se fazendo de perdido. Compelido a construir, é assim que me sinto quando te detenho. Por vezes, ostenta-te estas pilhas em contornos blindados, por trás, canos robustos à atirar.

Faz-me vítima, provoca almas, congratula protagonistas. Nesta avenida progressiva liberal, é o tapinha nas costas de quem reage, sofre e dissimula. Penso em te ver um dia desses... mas sem tê-lo, amor, nunca será possível, mesmo fortalecido o sentimento, mudado alvo é imutável a dor.

Desatino prefixado, quando enrola(dor), realizando os mesmos passos que eu. Se destina em seu tempo, quando só existe ele, não existe calos. Costurando porcelanas, vendendo balas e indeferindo destinos. Os monges tibetanos precisam, as freiras e os budas também. Todos devotos de um mesmo Deus, resta apenas uma única religião, apenas isso a seguir.


segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Além e novamente com a narrativa.


Preludium

Bem, chegamos a mais um final de ano: Muitas novidades e a todo vapor! Mantendo a velocidade só para não perder o costume de praticar nosso lépido e superficial passeio por cima do já tão sensível e desgastado gelo fino...

Todavia, não é de ficar perplexo presenciarmos, lermos ou nos debatermos com pensamentos tão afundados no mofo. Em 2012, dez anos depois, ainda em uma conversa versejada com um velho amigo, concluímos uma fatalidade após uma corroboração vista por nós uma década antes e que hoje em dia parece ser tão batida para o nosso pensamento.

Alene mot alle: O problema de ver o pós-moderno.

É, pode soar clichè, mas em uma época que ouvir samba não era "a sensação", muito menos ser um londrino tropical - cosmopolite - e tampouco estar além dos dois pólos narrativos - esquerda/direita -  já visualizávamos o óbvio. Sem essa de ser vanguarda,  sabíamos que a tal possuía o sabor e a sensação do passado. Mas isso não era o pior, o áspero era sentir o seu gostinho mordaz, indecifrável, silencioso, como todas as relações de poder que esse filhote de modernidade falha nos trouxe - sub-reptícias.

Não obstante era o nosso ódio.. Eu compreendo, caro moderno, como é preocupante utilizar essa palavra em tempos áureos de "gentileza, gera gentileza" condizendo com a cordialidade que está sendo elevada a seu maior nível de estupidez, para não dizer morbidez. Prejudicando identificar os problemas mais notórios das relações humanas, psicológicas (às vezes patológicas) - e suas piores mazelas.

Homem narrativo, o novo "Idiota".

Gostaria que o Dr. Fausto fosse o arquétipo do Idiota, porém, infelizmente, ele está longe de acontecer. Em meio a tantas narrativas em defesa dos nativos da terra brasilis e com tanto micro hitlers travestidos de indivíduos senis, preocupados e engajados, eu me declaro morto. Idiota, defensor da terra natal e dos costumes "certos", defendia uma narrativa muito clara que fora destruída por um martelo - muito bem conhecido pelos germânicos - e que deu início a uma série de novos pós - estruturalistas.

Ainda hoje, mais de um século depois, convivemos com a narrativa. Ela está aí, à sua volta, cercando-o, aprisionando-o, acusando-o, dividindo-o em nome da liberdade.

Pseudo ist Krieg.

Espero que no próximo ano sejamos mais pragmáticos - não é assim que a narrativa diz ser o ideal? - e nos convençamos ainda mais sobre a necessidade do Estado, de menos "indivíduo", de menos "identidade", de mais narrativas, de mais simulacrum, até que nos condense ao que a distópica literarura de um certo inglês faça-se realidade - apesar de extremamente narrativa e mofada.

Espero que em 2013 tenhamos mais mofo e lodo para remover do pensamento ocidental, para justificar o trabalho, autentificar a utilidade do Estado e assim comermos nossa ração através de um voto ou uma ação coletiva em prol de alguma causa - mesmo que no fundo seja apenas o capricho de cada um.

domingo, 11 de novembro de 2012

In vino veritas est

Isso porque não temos...

Sempre achei saber da história, marginal à sina de velhos declamadores em balcões de bar. Saber das vidas contadas na aclaração dessa minha existência fátua, mise-en-scène, vivendo para colorir o meu sangue ralo. Homo sacer fugindo das leis do homem e de deus.
Como qualquer romântico, piegas em sua maioria, verso meus anseios pela mulher que me toma errante e me lança ao brio. Procela para os meus barcos em calmaria. Revela que toda a minha certeza não passa de um prazer lacônico. Como uma música que fala sobre coisas ruins e eu associo a sua soturna beleza aos meus melhores dias, você vem ser o paradoxo, vem com a tua sedutora indecisão ser decisiva. A redenção do pecador sem o martírio.
É que nessa voz tão cansada venho ouvir meu nome mais uma vez e sei que quando não de palavras me dou, nada sei dizer. Mas nesse e desse nada, niilismos à parte, vejo mais que tudo.
E que falem pelos cotovelos, até mesmo pelos joelhos se quiserem. Mas numa hora incerta, quando os ponteiros não disserem qualquer coisa, tirar-te-ei uma gargalhada, pois é ela quem aplaca a minha bomba coração.
E o meu hálito quente e mau cheirando à bebidas dirá tanto em tua nuca que os pêlos se eriçarão como se à procura da verdade que acabara de passar por alí.

E a história, sabe? Vai sendo o que você me contar.


sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Cachorro morto



  Seu Inquieto senta na cadeira de plástico, puxa um cigarro de trás da orelha e começa a escrever no seu velho e imundo caderninho: 

 - Hoje não falarei de amores que sinto ou invento, amores de qualquer tipo. Vejamos... (Pensando)

  Talvez da fé que inunda meus irmãos, que os cega e a mim me reserva certa um cantinho quente e sujo no inferno da rotina? Não, melhor talvez do sistema podre de lucro e egoísmo que esmaga os sonhos e engana os pobres, fazendo crer que tudo que juntem hoje através de suor e sangue os fará melhores no amanhã tardio ainda que infalível? 

  Faz sinal ao rapaz que lhe traz a cerveja mais gelada do freezer, suco sagrado que instiga a crítica e afaga as sinapses. Toma do copo, bebe. 

 - Aaahh! Pois que seja mesmo de samba e amor, de como vai longe o tempo em que mereciam a nossa atenção. Que sirva as novas gerações o alerta de que nós os jovens de outrora é que sabíamos ritmar, ter cadência e a carência que é hoje esse mundo apressado e mesquinho das ruas cheias de gente vazia e de um povo que vive máquina, bicho estranho q é o homem. É isso! Hoje falarei da sociedade das imagens, tacanhas gravuras que passivas não percebem o que passa porque pré ocupados com o próprio preconceito de já não mais se entender criadores, não mais serem semelhantes mas massa só, tudo igual, pareado com o que - mas nesse momento eis que passa em desfile a morena. 

  As coxas grossas, o seio farto, e um sorriso espelhado no autor que dá a ele a certeza de que hoje não é dia de nada daquilo. Descanse, caneta! Sossegue, aflição. Que falta faz mais um dia? Que diferença mais letras?  

  A morena vai linda e a cevada gelada. Todo o resto hoje pode esperar.  

domingo, 21 de outubro de 2012

Que assim seja




"  Seu hálito quente e secular a tudo cozinha lentamente. Os dias passam diante dos olhos com tal velocidade que até parecem ser um só. A película segue quadro a quadro, um desenho animado em que chovem bigornas, e uma cômica trilha embala estes caricatos personagens: A mulher infiel; o pregador louco (a quem poucos de fato param para ouvir); a  beata calcinada dentro de sua própria fantasia a apertar - lhe o pescoço; o poeta sonhador a filosofar duvidosas esperanças recheadas de puro lirismo e o moço velho já cansado de tudo.


  Ao fundo um coro de calmas vozes, prenhes de insistente anacronismo personifica a ilusão de que as gárgulas ouvem a ladainha persistente de santos engessados de barro e pecado. Um curioso espetáculo de ventriloquismo e retórica. Assim é que cada um interpreta o papel que lhe cabe na pobre novela do cotidiano.


O vento a tudo bole e com tudo brinca. Desgrenha donzelas, devassa as matas, desvirgina tendências e dissemina debutes. Do autor sabe - se apenas de sua atuação, que afinal o resto pouco importa. "


                                                            Pelos seculos, seculorum. 

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Astronautas no Planeta Mármore


sábado, 13 de outubro de 2012

Tempos modernos


Confusion that never stops / closing wals and ticking clocks


  Sobe o fio de fumaça que é denúncia daquilo que esteve, não mais. Leve como o vento que sopra e mais ainda, como as nebulosas marcadas contra a estática tela escura. Longe passam secos automóveis como ondas, feito doppler, distantes que estão da praia, enquanto aqui nessa selva em particular a chuva cai desavisada e cheia de preguiça.

   Tudo parece ignorar a pressa que é sinal de nosso tempo. Não se respira mais como antes. Sobra  o que é cinza, final anunciado de tanta combustão-trabalho e tal. Relva úmida, leito de orvalho, leite morno. Sentido pro que se sente é busca vã. Filosofia, que seja material de modelar a massa; poesia, matéria que se viva. Afinal, fazer poesia é enxergar através das palavras.


Hush. No Rush.

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Retorno ao Eterno.


Norway

A Origem.

Angústia e raiva, resume-se essa explosão. A sensação de não estar ajustado, de ter raiva por que algo está bloqueando o seu caminho, algo que não deseja ou não quer fazer. Algo seu - onde o inferno sempre é o outro - ou dos outros? Como diria aquele francês que um dia defendera um grande monobloco narrativo e agora já extinto...

Suscitar o orgulho, dar espaço para a vaidade e, como o de costume, cair novamente no chão, pois não saber como lidar com a explosão o cega, afasta quem o ama - caso o amor não sofra do Mal de Cristo.

Nesse circuito, novamente, vem à tona os alcalóides- a fuga, os amigos descartáveis, giletes afiadas, sangue derramado. 

Vaidade, fuga, vaidade.

Não há nada mais pecaminoso do que esconder o choro, não encontrar sinônimos que deixe o texto mais belo e erudito: sentir-se abaixo do que já está abaixo. É sentir féu no prazer, é ver beleza na auto punição.

Cicatrizes, vergonha, vazio.

Outros ares, ora confusos, ora civilizados, com um clima frio - Norsk -, ruas pavimentadas.. Projeto de modernidade, como fora concebido naquele passado positivista. 

Uma década aguardando o gosto da vitória. Só você celebra. Objetivo alcançado, mas não satisfeito.

sábado, 6 de outubro de 2012

Sufrágio

O teu sorriso preso na garganta da paz

É chegada a hora e tens de decidir dentre as centenas. 501?
Porém existem dois, especificamente, que te saltam os olhos:
Um é um indivíduo mimético da vida comum - a preferência ecumênica - regido por uma hierarquia educacional, carregado de jóias e presentes - que ele trouxe de Paris numa viagem a negócios - prenhe de idéias fátuas. Um sujeito encômio para as mães, avós e sogras. O mais do mesmo em sua essência. Te promete o inimaginável a fim de granjear o teu voto.
O outro, neurastênico, famigerado por seu passado, de pretensões mais parcas, mas cheias de paixão pela mudança é o que mais condiz com os ideais que possuis. Ganha no corpo-a-corpo - isso tu sentes - nas retóricas; seus discursos inflamados são a assunção das células revolucionárias - todo coração - que te tomam ser humano. Todavia, julga-se menor que o outro por não possuir o capital necessário para investir em sua campanha de conquistar o teu voto e ser eleito.
Resilientes os dois, porém de opostas formas. Vêm para soçobrar tua calmaria, te fazer pensar sobre futuro, querer tender um lado da balança.
E a tua indecisão é um jogo político onde a tua história vai determinar quem escolherás. Por mais que suponhas que a escolha seja tua, nós já sabemos quem vencerá, não é mesmo, meu amor?

A memória eidética é o pior inimigo

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Meses

'Coração é terra de quem pisa.' Está na boca querendo reforma agrária.

Pareço indômito, vestido pelo tempo. Minha barba configura uma fisionomia quase filosófica, idônea; reprodução de velhos ídolos e suas vidas consumidas na compreensão das mesmas.
Parece que fui visto pelo olho fundo da tempestade e que agora posso remar às cegas sob a opulência cinzenta de um céu que esconde qualquer norte - sinto-me preso as essas intempéries que recentemente varreram a cidade, como se soubessem da necessidade.
Meu corpo tem a vivência da finitude, infinita em ignorância.
Sinto como pedra a tua história, contada na solidão, em meu estômago já habituado com a gastrite. Revira feito remédio em seu efeito. Alcança toda a minha sina como uma dose de veneno. Entorpece-me pelo vício da tua íris, o sistema nervoso é sua orquestra - ressalvo o vício de qualquer teor pejorativo.
Foi de tanto ouvir você bater o telefone enraivecida - não vejo simbologia maior.
Hoje exponhe-se os dentes para esconder o que traz a língua. E a felicidade vai sendo qualquer coisa que caiba nas mãos cheias de moedas - o livre mercado agradece!
A roupa, troco e fica velha, tão quanto beijos de amor. Mas o teu todo é perene, e nostálgico tal qual biscoitos com café.

Aquele solo, de trompete e trombone, no final de 'Vermelho' do Camelo com o passo novo que eu aprendi.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Álcool


Outro momento... me deparo com esse gosto, é desalinho, em entre cortados caminhos perfeitos por inexatidão, que sempre deixam de existir em algum momento.
Todo caso, vejo esses dois correndo. Trechos dessa aventura sinuosa por satisfeito sadismo, controle e descontrole. Trago ou estrago, o som, essa música, o povo, a indústria, o rico, o pobre; todas as veias por de fora dessas castas, amargo temor da conclusão exasperada, meio manobrado. Respira-te mais algumas vezes, sempre que for caminhar por esta superfície, ela contempla o humor. Você não pode deixar de existir.
Querente de muitas ideias, irrigando as mesmas, me faz saborear-te, afinando os sentidos. 
Perto, o caos, em tórridos passeios por sentimentos pasteurizados e em festas de muito luxo. Este, serei eu, um dia, mais comum que hoje. Mais sóbrio que ontem.
Em algum pálido momento, vou lhe dizer, dizer o que senti por ter você aqui, próxima ao meu fígado.

domingo, 23 de setembro de 2012

Carta aberta a minha Amada



Vitória, Presente meu


  Depois de passados 26 anos de você, aninhado em teu seio, percebi que sim, te amo. Mas existem outras tantas de você, outras tantas das quais me privei, em princípio , por seu amor.
  
  Existem muitas outras iguais a você. Decerto não com suas marcas de idade ou sua estrutura óssea, sua experiência ou o cheiro sujo do seu sexo e senilidade intrínsecos. Mas há muitas por aí, com tanta ou quem sabe mais beleza, curvas e reentrâncias se banhando ao mar e curtindo ao Sol. Todas muito cativantes, mil memórias não vividas de doloridos gozos e outros mistérios os mais variados.

  Só hoje percebo o quanto fui pueril em prender - me a ti, como se os sentimentos forjassem grilhões e não laços, raízes e não ramos. Vendo meus amigos, sei que muitos deles sempre te olharam com desconfiança. Nunca puderam te enxergar como eu, porque afinal nunca te amaram como te amo. Não te conhecem pelos meus olhos. É que amam eles amiúde, promíscuos como os amigos são.
 
  Se hoje beijam mineiros lábios, amanhã já se deixam encantar por catarinenses verdes íris, transladando todo afeto sem jamais direcioná - lo a outro lócus que não seja o externo. Devo admitir aqui que os invejo por isso. E admito também que é hora de mudar, pois se de algo realmente sou carente é de me alijar. É duro, sei, mas devo  me emancipar. Ouço alguém cantar que "é necessária a nova abolição" e faço coro. 

  Parto doído sabendo que no entanto sempre terei em teu riso de mulher meu Porto Seguro, minha rosa dos ventos a nortear os passos meus. E onde quer que ande, aonde quer que eu vá, será sempre a você que sentirei na pele, sempre o teu cheiro que estarei sorvendo indiferente do jardim. Mas hei de provar outras delícias e descobrir novas geografias. Sei que ao voltar te encontrarei a minha espera, c'os braços abertos e o hálito frio que tão gostoso me arrepia a pele. É que me chega a hora de sentir na língua outro mel e outro leite. Mas sigo sempre seu

         
                                                      Amante

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Soneto do Elefante


                        

                                                        Grande, espaçosa besta
                                                        Olhar cansado, velho
                                                        Na mente, sujo e belo
                                                        Vila num fim de festa
                                                        
                                                          
                                                        Onde vagou sua fúria 
                                                        No passo manso e curto
                                                        A pata sobre tudo
                                                        Todo estertor, lamúria
                                                        
                                                        
                                                        Qual desvairado Mouro
                                                        Toma gentil o espaço
                                                        Tornado estéril, morto
                                                        
                                                        
                                                        Traz na memória impressa
                                                        Forjada a tristeza
                                                        Essa cinzenta massa


quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Jovem incoerente





Por trás desta espera, não observo, sempre se desfaz neste esteio regresso, a palavra doce eivada em dilema, em ser o astuto, em obter o previsto. Quando o tempo estica os prefácios, o terreno desatina-se em erosão, aquecendo as palavras em berço oco.

Hoje, é mais um tempo, viciado dilema, quando parecia seguir, eis que apresenta-se pobre novamente, quando ha(via) estreitada juventude, angústia o deixara perdido novamente.
Sucesso quando jovem. Perdido como um velho.

Passado o sucesso prévio, me vem a mente uma mística anti-horária, perfazendo os sintomas de envelhecimento ativo, com membranas intuitivas, revestidas por barro e pavês de papel.

E esses caras que vocês enxergam grisalhos, não fazem parte desse arado fértil, independente disso... são elos andrógenos de um mesmo pires, escorregando mais algumas vezes.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Malandragem entrevistada #1


Entrevista com o Seu Anacleto; boêmio, pandeirista paradoxal de antigamente, catador de lixo e amante de variantes proverbiais.

    1. M.I: Pra começar, qual sua idade neste momento?
      Seu Anacleto: (Acende um cigarro, dá uma baforada...) Rapaz... i have 6 ponto 9.
      M.I: Acredita no Capeta?
      Seu Anacleto: Gato escaldado tem medo água fria, né.
      M.I: Po, é verdade que o senhor oferece cigarros, da marca Plazza, para pessoas frequentadoras do universo em desencanto, em vitorinha?
      Seu Anacleto: entre comer e beber, eu prefiro fumar.
      M.I: O senhor participou dos melhores movimentos esquerdistas do passado. Como um velho boêmio enxerga o cenário da política atual?
      Seu Anacleto: Jovem...(pigarreia) em terra de cego, quem tem um olho é rei. To cagando e andando.
      M.I: E esse samba bonito, com uma galerinha indie, que rola nesta pequena ilha; passado e futuro se encontram?
      Seu Anacleto: Quem pode pode, quem não pode se sacode, meu filho. Bato meu pandeiro e toco meu barraco... nada sei... dessa juventude metida a sebo.
      M.I: Pra terminar... Acreditas em dinheiro ou em Deus?
      Seu Anacleto: Rapaz... quando a má fase aperta, qualquer barbante vira corda.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Assim Caminha a Humanidade...



Clique na imagem para ampliar
Melhor visualização? Clique aqui.

sábado, 8 de setembro de 2012

Pedra Angular




De porto e mel germinado, quando infante todavia eras, sequer criados do barro erámos nós. Já nos guardava do alto, dividindo os ventos e divisando os astros quando avistaste a primeira estrangeira nave.

Nossos selvagens gritos ouviste, impassível; assistiu dentre nós os mais bravos a reconquistar seu espaço, se reerguendo quando pelos intrusos derribados. Ressurgiam entranhados em luzidio adubo. E era então a dureza do osso estampada no mais tenro holocausto da carne. Ressurgência árida de estranhado canibalismo.

Loiros como anjos e ambiciosos como o Diabo, como homens somente conseguem, arrotaram trovões e ergueram muralhas, fortes a te emular. Ora, bastaria um guspir de Netuno para que caíssem, castelos de areia que são, Morena rocha de Sol tingida, altar primitivo de nossos pais em sacrifícios entregues aos mais torpes Deuses.

Desenhar - te com letras pudesse e gastaria o poeta todos os dicionários, bíblias e Alexandrias. Certa vez sorvendo a baia, buscamos estreitar os braços, como se num abraço da gente coubesse. Mas não é possível, Colosso, monumento calcário a lembrar nossa infinitesimal pequeneza de homens, solitude infinita de ilhéus.


*      *      *


 Mil linhas mais ousasse eu traçar e inda assim não poderia toda tua sina cruenta conter, megalito Atlântico, doce e tosco obelisco sem pontas. Cozido em pardacenta olaria, se não profundo por sua geografia, sê em sua poética, qual minas de sal e coral selando a saga tua.

 Menir esculpido do sangue da terra e as ondas lançadas num jorro de gozo. Ali brotada a semlhança da natureza criadora, com rigidez de monolito e solenidade de tumba. És Plácido porque invencível, precioso porque invendável,pedra bruta, minério, pirita.

És Monstro marinho a repousar no leito onde deitado é velado por seus vales irmãos. Ainda que nada ou ninguém te possa partir, vejo nos veios congelados de tua mais perene base refletidas minha face e minha gente, cintilando sorrisos sinceros como quem paga em silêncio a acolhida e o afeto de um ente querido.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Espaço Youtube



 
 
Qualquer coincidência é, Merda, semelhança.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Fases(fezes) férteis


É simples. Acorde! encontre sua torrada pronta, seu suco preparado, seu cachorro vitaminado, sua mulher bem humorada, seu filho alimentado. Saía, encontre em seu trabalho um motivo pra seguir, mesmo que não realize, sinta, tente... isso tudo serve pra consumir; toda sua energia e objetos vazios. Volte, abra a geladeira, pegue uma cerveja, beba. Assista ao vídeo da mulher bêbada no facebook, ria. Solte palavras para esposa, solte peidos no sanitário. Dê boa noite para o seu filho encapetado, volte ao quarto; faça amor de 3 minutos, durma, durma profundamente, antes, sonhe com o feriado na casa dos sogros, posteriormente, ronque.
 

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Desvio


Como uma droga, não se sabe o motivo, apenas desliga-se, apenas permite ser assim, que seja.
É um fecho, um ciclo, aguça-se em motivação pouco racional, nada racional, pois emociona.
Como um mito, estado psicológico aberto, mesclado em experiência nata, alerta.
Intrínseco, é descuido perdido, atrás de outros gostos, outras vidas.
Mesmo intra, ora mudo, quando desnudo, ativo e parado.
Perfeito em mim, imperfeito em você.
Fadiga acaba.
Cuido.
eu.
 

domingo, 26 de agosto de 2012

Chuva

Ecce Homo e piegas metáforas sobre a restauração do amor

Queria eu que a torrente dominical, em toda a sua representação gênese - essa brisa anímica que me bate - lavasse não só a semana que passou, com todos os seus pesos e rastros; mas também a tua insegurança que vela sobre o cadáver da nossa conclusão.
Se por um triz fomos, sem querer, tamanhos, perante o medo dos abismos medidos com os beijos de tantas ilusões, por que não acordar sobre uma corda bamba, enquanto a tormenta passa chamando tua vida pelo nome?
Se eu pudesse adjetivar, em um só predicado definir-te: Vontade seria. Pois isso tens pulsando nas artérias de um coração contumaz. Isso é o que me faz desejar não por singelas vias, mas por, quiçá, talentos latentes, pintar afrescos renascentistas representando a tua beleza; produzir concertos, nos moldes de Pachelbel ou óperas como Puccini - leigamente julgo-os referências - patenteando o meu anseio por ti; 'pelicular' cinematograficamente, com orações a Godard e Truffaut, as intempéries da nossa história.
Ao passo que nunca serei, mas sempre estarei sendo, faço jus ao meu relapso senso de direção e pelas veredas da tua incompletude me guio sem foco, olhando tanto para trás, me mantendo aos tropeços nas linhas tênues do teu querer, açodado, pelas poças que se formam do que mana da tua libido, arrebatado pelo que tua boca sopra para suster a minha memória fugaz.
Por tudo o pronome possessivo impera pelo ar, cordas vocais, língua. Vai tanto de encontro a realidade que é real agora eu me encontrar tão teu.
E que sobre esse céu cinza. 

Sinapses

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Quase meio tempo, este é o nosso tempo.





Semear, plantar, erguer, concretizar, situar.. palavras eleitas em território firme. Sobre essas palavras a cor de quem não distingue a paz, diversão e conforto; pois gostar deste alguém merece uma pausa, é só pensar, no palato duro que é, neste céu, dessa boca. Eis que de todo modo não expões teu apego, resta o medo, o tormento elementar neste arranjo do tempo.


O movimento transitório, particularmente desenvolvido por esta ponta caída, pétala, é a flor de um momento rarefeito, transitório, calculado por minutos, os últimos.

Esse falatório no ar, é a atmosfera piando pra ser feliz, ser completo enquadrando beleza, dizendo que tenho apreço, que realmente gostas de brincar com olhar e então, não se perde de vista, realiza esta fábula e cumpra sua oferta. É o homem, estragado por poéticas paródias de botequim, reinventando lamurias, desejos e partidas sem fim. Desta feita, Acácio, mais uma criança inocente, adentrando nesta arte, sem perceber que vai se perder em lambuzar-se neste tumulto pontual, no entanto, enfrente, segue alvissareiro, em mesmo rumo, desde a última década, moderno e arcaico.

Aquários dizem:
- Não se resolve dialogando... apenas acontece.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Mobral

                                                                                                                    
                                                                                                  Slot gosta chocolate


  Se um dia eu deixar de te escrever, por favor não veja nisso um abrutalhamento. Nem tão pouco um analfabetismo repentino, sumiço súbito com todas as letras.Mudar é quase isso de chamar um nome no qual se pensou mas acabar por se ecoar num outro.


                                               *                             *                             *


  Estranho mesmo é fingir que se ignora algo. É penoso por demais, e ademais completamente estéril.
Minha atenção repousa somente no que toca o canto de meu olho - embora não me lembre ao certo onde tenha visto isso. Você deve se lembrar como é péssima a minha memória e grande o meu talento em complicar o óbvio. Como um bom menino que não pode prestar atenção; não sabe se comportar.


                                                *                             *                             *


 Se um dia, amada, deixar de te escrever é por pura e simples impossibilidade a te berrar "Não posso mais! Não posso mais!" uma vez esgotado o mundo que trago no peito, ou seja, quando me pare o latejar de espasmos que é meu coração (involuntário filtro, imprevisível bomba) aí que sim me calarei. E nem um minuto antes.


domingo, 19 de agosto de 2012

Ambivalência.


From the beginning.

Não há dúvidas que os impulsos que se originam dos mais tenros instintos nos levam à procura do prazer instantâneo, arrastando-nos ao desequilíbrio e à consumpção física e emocional.

No mesmo instante, a disputa por um lugar nesta prisão urbana e existencial, das couraças em danças, das ambições exageradas, dos anseios do sentimento e dos desejos perturbadores contribuem para que se instalem tormentos íntimos no ser humano, levando-o a distonias emocionais. 

Os compromissos em tempo mínimo, o tráfego de­sumano, o medo, a angústia, contribuem de for­ma preponderante para que o equilíbrio se desnorteie, dando surgimento a disfunções com ten­dências aterradoras. Sensacional? Pós-moderno? Não! Alarmante. Ainda possui dúvidas em relação ao alarme? Incrível.. Eu também! Várias.. Ainda assim, nos vejo de forma massificada, no volume perturbador que nos opri­me: descaracterizado-nos, perdendo a indi­vidualidade e tornando-nos títeres dos hábeis orientadores de conceitos, que também se equivocam e, sem rumo, estabelecem com­portamentos que interessam ao mercado das sensa­ções - ainda duvida dele?

A busca do prazer - no bom sentido - emula à luta, ao tempo em que desgasta a emoção, precipitando frustrações: Quando a resposta não é como queremos, a ansiedade vem à tona e a tortura, sua fatalidade.


A histeria, tão somente ela.

Soa como um bit - dependendo de sua arquitetura computacional (zero e um?) e da capacidade do seu processador - mas pelos privilégios da jornada e das peripécias das relações de poder, que proporci­ona destaque social, prestígio político, privilégios, cons­titui-se meta central do comportamento humano, como se a própria existência pudesse reduzir-se à transitori­edade...

Porém, na massificação, a fraqueza deve ser dissimulada: O que mais importa é a ausência de proposições, como se toda a vida pudesse ser avaliada pela levian­dade. O indivíduo psicologicamente desajustado sente fome de massificar-se. Porém, o êxito não é portador de magia, não há máscaras que consigam sustentar a dor, uma vez que o absurdo já esteja instalado e identificado.. Quanto mais apressar o passo, mais assustador o absurdo será.

Ainda assim, mesmo quando conseguir um estágio de fuga, verás o tédio, que sucederá à conquista, e se instalará, até que outra moti­vação forte levante o ânimo, que se lhe en­trega, vivenciando fases de comportamentos instáveis.  

A vitória daqueles que não vencem. 

Cremos, desvairadamente, que o êxito é quem mensura os valores através dos quais nos diferimos. Infelizmente, ele se encontra em qualquer tipo de busca, não somente econômica, mas também cultural, científica - Sieg Heil Academia -, social, artística, seja lá a área que for necessário o desem­penho e a manifestação de valores.

Por mais que insista em sua exaltação, decorrente dos fenômenos de fuga da timidez, do medo de ser desco­berto na sua realidade conflitiva, torna-se necessida­de emocional para destacar-se da massa: A triste noção de não ter valores éticos ou intelectuais, artísticos ou quaisquer outros que o diferenciem, chama para si, os conflitos disfarçados e exibe a tormentosa condição que o diferencia, po­rém, de maneira perturbadora. 

Por esta ótica, estamos todos juntos na fina camada do terror contemporâneo, marcados à ferro e fogo pelo símbolo da ausência: De si, de todos, de nós.  Esta guerra? Nós a perdemos. Estamos nos arrastando ine­xoravelmente à desidentificação, nos campos de concentração onde a única tortura é o self. 

Se há esperanças? - caso haja, me diga! - Mas, para nosso conforto, contrastando-me, posso lhes dizer

Participar da sociedade, não signi­fica perder-se, esvair-se, tornar-se invisível em meio ao coletivo, mas identi­ficar-se com as suas propostas, harmonizar-se com a mesma, sem deixar de ser a própria e única estrutura, ter seus ideais e ambições, seus esforços e talentos, pois a harmo­nia depende do equilíbrio das inúmeras partes que constituem o todo.

Fecho o desabafo como uma command line em blackquote que executo no console dos scripts que construo enquanto trabalho: </life>

Alfa amar, Alfa ao mar



O contratempo rasteiro, torna o sujeito suspeito, meditabundo, destemperado... aos olhos da vida persegue um alvo, sabedor que este, há muito, informa caminhos errados, privados momentos de acertos, sem recalque. Sem anseio ele vibra, sem tirar o pé do limite desta bacia.

O mesmo, retorna ao ventre maternal, curioso esquema retrátil de alma e poder, dentre vários guias, não tende escolher o melhor. Não sabe. Na outra face, vejo esquema que é mantido; acomodado, perdido. Destituído da menção jocosa de macho, diferente do machista, aquele é um instinto perdido. Mostra-se aberto e sensível, frágil menino, com afagos e mimos; artístico e criativo. Mecanicamente inativo.

O conclusão é tortuosa, o estrago é a incoerência, o vestígio do tempo preso neste engodo, é trato de uma fase, uma maneira nova de continuar, vivendo e estabelecendo segmentos desta geração que não passa a encarar, pois é certo em hesitar e amar.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

As Trepadas Que o Mundo Dá


Não saiais por fim dos sonhos tantos quando a boca gela ao beijo desconhecido

Sim, o mundo literalmente dá voltas. A teoria do caos em sua definição circular. Inaudita a palavra de quem o viveu e sabe, por seu instante, os louros que abarca. Toma pelos olhos secos as proporções do horizonte.
Por psiquê, não se reconheça por tuas façanhas, mas sim por teus pecados! Segure essa mão esquálida rente a consciência e entrelace os dedos pela garantia da incerteza. Sim, pois o que move a exatidão é o medo do fracasso. O que move o teu amor é, simplesmente, não tê-lo.
Quem dera visão ao fulgor dessa beleza?  Não te cabe o que brilha na eterna excelência do querer?
A língua é melíflua, veneno afrodisíaco que entupiu coração crente. Canhestra a forma que a volúpia contorna. No vário se vê metamorfose, a pele é metáfora do dia em cordata com a noite. É cria da própria diferença - e assim vai sendo. É pauta a qualquer melodia. É dívida paga a qualquer sorte.
E assim, sob a tutela de um abajur amarelo, percola tudo o que já se vira antes; parece a sombra não querer perder o contato, parece a luz querer saber do que acontece por alí, enquanto a carne faz a sua festa cega de desejo.
E o mundo dá voltas, mas já dera tantas que isso parece ser só vertigem.

Pretirais em virtude de teus lençóis amarrotados

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Ave rubra


                                                     Voa, avae, aberta no ar
                                                     De penas vermelhas
                                                     Rubras de teu sangue
                                                     Um rubor sem vergonha
                                                     Cor de sangue e cinza
                                                     Tua filosofia de vida é vaga



                                                     Pra um mundo tão torpe
                                                     Um mar de gente egoísta
                                                     Cercado de narcisistas
                                                     Mundo de agoras, onde o tempo...
                                                     Ah, que é o tempo? 
                                                     Seja lá como for, não és escrava


 
                                                     És senhora, Dona. Ave que trina
                                                     Os olhos fechados, pra ir mais fundo, voa!
                                                     Voa, ave, avessa ao não
                                                     Pássaro sem futuro, voa!
                                                     Voa, que teu tempo é sempre.