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sábado, 14 de julho de 2012

Retórica


  A ânsia muda - quem sabe fala entupida - precede um vomitório épico de tudo quanto misturado dentro estava. Vai saber se dor, delícia ou o quê (quase impossível separar) mais que volta, ecoado nesse acalorado refluxo. 

                                                                     *   *   * 

  Há tanto o que se conquistar de tudo o quanto se vê, por mais pisado que seja o caminho... E as gotas de suor, hematidrose aguda e clara, fruto sintomático do que é plantado no esforço absurdo de estar e vivo. E sentir - se. 

                                                            *   *   * 

  Ser, ter e estar acabam se confundindo e levando a gente junto, adiante. Respira!
 Que todo dia é dia novo, dependendo, é claro, de quem repara.

Retumba ! E nasce outra vez.


sábado, 3 de março de 2012

Crescido

Meus delírios já não passam de uma febrezinha!

Na fresta da porta entreaberta via-se luz, aurora, coisa que acalentava as noites púberes de sonhos e incertezas que se faziam certezas na convicção do que se era sem ser. Era luz baixa, de vela acesa, que iluminava sem nitidez, soporífera, onde se execrava o chão sem mesmo tocar. Injúrias à terra erosiva da lua.
Mas doravante e insofismável, porta aberta está - completamente - e não se sabe dar sinônimos à esse clarão. E já não falha o gosto de chão, que no horizonte já se embaralha com o céu.
Isso é artifício do tempo que é artimanha do fado que se dança com os malditos vícios - escapismos - pendurados nas costas. E dói. Pisa-se em expectativas como papel. E a felicidade toma formas espinhosas. Tudo é falta, não sobra.
Mas esse é o caminho natural das coisas, certo? As invariáveis subversivas já não passam de nostalgias em mesa de bar. E tudo aquilo que fora referência não anda um centímetro nas estantes.
O velho é o novo. Aquela conversa maturada de "quando tiveres minha idade" vai se fazendo presente, tomando corpo, o teu.
Agora o desejo é não se ver só, numa caixa de vidro, aconselhando a juventude de que aquilo é passageiro como o trem que se precisa pegar para o trabalho.
O que se espera é alguém com um beijo de primeiro encontro e o abraço mais robusto do mundo - firme como o quê? - Que alivía o azedume do dia, interpelando, em juras de amor, como o mesmo fora.
Assim, a dança vai ficando menos dolorosa. É para quando a música parar. 

Bem que vovô me falou!


segunda-feira, 4 de julho de 2011

Pequenas notas para o amigo que não está

De longe não posso te dar meu sorriso, ou escutar teu soluço. Nem posso dividir contigo a desolada certeza de que no fim estamos todos sós.
Maltrata o teu desterro, na mesma medida que tanta alegria já me destes tu.
Hoje estamos distantes e há dor pelo mundo. É certo que essa dor estará sempre lá: tão certo quanto o eu estar sempre aqui. Mas hoje meus olhos não divisam tua cumplicidade e sinto estarmos bem sós. Não podemos sequer dividir nossos ais (como se sabe, solidão partilhada é solidão repartida).

* * *

É certo também que amanhã teremos novo Sol. De tanta coisa duvidosa nesse mundo estranho, impressiona a franqueza daquilo que é certo. No amanhã, pois, novo Sol. E com ele a ciência de que mesmo estando ainda longe, tudo estará no seu devido lugar.

domingo, 22 de maio de 2011

Partícula

O "se " é a pior das expectativas, tendo em vista o alto teor de fracasso que traz em seu bojo: Pelo menos 50por cento. É a incerteza usada da forma errada.

Aquele embrulho no estômago, a beleza do devir, deveriam propulsionar qual e tal trampolim, levando daqui para o adiante. O se é partícula apassivadora, e Deus me livre de me manter passivo diante de uma vida, um universo de vivências que espera apenas um descuido meu para explodir através da minha inércia.

Nunca fui de ser passivo, sei sim é o valor de ser paciente. Sou do Tempo, nunca o contrário.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Aprenda e crie, nos idos de 2002, com Nerão

Incomodo sintomático, trazido pelo vento poluído,
desce e pesa pelas ventas respiratórias do próprio ser;
invoca perturbante presença petrificada pelo tempo e ardilosa de natureza,
que aduz desejo extremo e impróprio de retirar-lhe,
o ato que insinua a derrocada totalitária de qualquer desejo e estima ;
faça-se relutante, a pueril e solene importância de um esconderijo esquálido
por debaixo de cortinas feitas por mãos defenestradas vil, que são incapazes de esconder a veemente falta de orgulho e vaidade aos demais;
não há como não findar no amanhecer do nojo e entardece no escárnio das multidões.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Espaço Johnny Depp

BRAD PITT À LA JOHNNY DEPP, MALAAANDRO...

Garganta Inflamada Seguida de Escarro Anacrônico

Insensato e derradeiro,
o que pinga da dor e da cor do ser,
divaga sobre entre trechos de agonia e desgosto,
deságua com cara de fuinha venenoso;
isto que desfaz os prazeres com misto febril ruidoso;
sob olhares, a ojeriza de terceiros, o verde se desfaz, a alegria não acende.