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quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Cada qual em sua mesa, em uma péssima escrita.



                                                   
                                                        "remova seu produto, por favor"
                                              

Essa história de sensível sentimental é conversa fiada, esbravejou Alcides.
Me conta uma história boa, esbravejou Arlindo.
Você tem história, esbravejou Abel.
Só sobre você, esbravejou Beatriz.
Não te dei mole, ressaltou Beatriz.
Abel coloca sua pança rígida para fora dos botões quase quebrados, diz pra escutar a melodia da paródia insana que está por trás das cortinas. Ele situa seus medos nos lugares certos. Abel carrega culpa, entre outras coisas, pela barriga, cerne da bagagem que carrega de bons e maus tempos. Abel está solto quando seus botões estão despregados, obrigar Abel a sentir completude seria impossível, não há congruência. São sensações divergentes, abarcadas em valas sem significância alguma pra ninguém. Abel se cala.
Ver o sol entrar ali me causa asco, quase soletra Beatriz.
Abel resmunga por dentro, inalterada face, assim como jogadores de poker. Não alcanço, não adianta, resmunga Abel.
A pessoa mais interessante do mundo se tornou meu próprio umbigo,

Todos da mesa disseram ao mesmo tempo.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Sono

 Life is not forever(yone)

O som do despertador, para mim, é sempre uma alusão a gemidos infernais. Odeio acordar cedo. O relógio grita a hora mais imprópria; a do atraso. Tudo é tão pouco perto do não visto. E será que verei, em meio as sovas do tempo que abre o olho roxo do destino, a vala comum dos nossos corpos mortais? Afinal do que somos feitos senão de sonhos finitos?
No caminho para o trabalho um homem brada dentro do transporte público que vê a multidão, mas se sente só. Ele ainda acrescenta que somos espécies sinantrópicas da nossa própria solidão.
O mesmo homem ao fitar o meu desgosto - estresse usual - me fuzila com seu dedo indicador e diz:
 - Enquanto você finge que me ouve, os cofres estão cheios de contradições, a educação não salva mais a alma do inquieto, os rombos fiscais são vistos inimigos maiores do desenvolvimento. Mas só te vejo aí, sentado. Julgo-te oco por vontade. Tu és mentecapto por comprazer. Um dia encontrarás a redenção da tua vida num tropeço de uma mesa de bar ou num beijo qualquer. Aí então, meu desalmado rapaz, tu estarás aqui em meu lugar.
E ele continua:
- Creias que eu seria o primeiro a defender a tua essência se eu pudesse vê-la. Foste plasmado por um deus carnavalesco e egoísta. Tu viste o pão folheado a ouro na apoteose? Tu vês as tuas mãos sujas ao pô-las na consciência enquanto esperas por súcubo - aqui uma livre interpretação - na noite, para te (t/d)omar a vontade? É, o amor deixou de salvar a vida, Neruda não faz mais sentido para você.
Conclui então o homem dando tapas em sua própria face:
- Acorda! É difícil. Vai ser foda. Mas vai ser! Pois eu sou também você, por quem os sinos dobram!
De mesmo modo me pego esbofeteando a cara, enquanto os sinos dobram, dobram... o despertador toca, toca... e eu não consigo acordar.

sábado, 2 de março de 2013

Dicotomia da fraternidade humana, seus ensinamentos sistemáticos e morosos.



Você acha pouco eu acho nada, fulano acha um tanto, sicrano acha raso, camila acha tosco, Wanize acha um saco. Carlos acha bonita e se casa, Vitor acha Feia e rechaça. Maria quer na vida o tijolo perfeito que preencha o seu amargo vazio sentimental, Alberto vive a vida curtindo os adocicados predicados da carne. Denise curte sexo descompromissado ao luar minguante tomando sangria, Marcílio é passivo e gosta de sexo anal. Beatriz se acha atriz e supera as expectativas da superficialidade artística dançando balé. Vilmar trabalha como ajudante de obras, demolindo casas, para que a cidade fique cada vez mais verticalizada.
O professor aplica aula por dinheiro, o aluno quer aula por cultura, Adélson quer ensino profissionalizante, Matias quer livros inquietantes. Josias pinta barcos de pesca e mora em um barraco, enquanto sua filha de 13 anos esta grávida pela quinta vez; Eva suspira os tons de cinza de baixo do chuveiro, degustando cada palavra, assim como Nelson Rodrigues degustara cada trago de seu cigarro.
Peixoto veio curtir mais um dia de carnaval, acompanhado de sua esposa e filhos. Alugou um apartamento em um balneário capixaba, deleitava-se na praia logo cedo. Jogava frescobol pela manha e futebol ao entardecer, depois de uma prosa metereológica, com o porteiro Tião. Mano Yamada, sempre cometendo os mesmos redundantes equívocos, e encontra mais um poste como aliado, para mais uma golfada. Foi uma noite, passou dos limites, com o sorriso largo e os copos cheios, mais uma droga, mais uma esbórnia, no entanto ele tirou férias da vida, ele pode. Você não há de negar, a vida que deixei é muito mais bela do que está por vir, não faz sentido, ninguém aprende nada, apenas o medo, nasce uma espinha na pálpebra da coragem, não mais orientada, só mais uma vida. Apenas curta encurtar essa vida. Odair José, soa fúnebre e datado. É a forma de amor pra quem quer apego meloso, sistematizando as tendencias, colidindo em torpes pensamentos brejeiros, translucidando paixões pela estampa da existência amorosa, constritiva e conflituosa. Hoje é a morte de mais alguns e a sobrevida cotidiana de outros tantos.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Parabéns, Malandragem!

No última dia 4 o Malandragem Inquieta fez 2 anos!
Em lembrança ao fato solene, uma frase do Millôr:
"A malandragem é a arte de disfarçar a ociosidade.”

E uma música mais que simbólica:


segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Dedimar, Feliz natal!




Faça o dobro, faça de novo, mais uma vez, vomite, coma o vomito, almoce de novo, jante outra vez, custe, seja custoso, novamente, pule, corra, atingindo o melhor do batimento cardíaco. Chore e grite cinco mil vezes.
Ele é feliz, todos sabem disso; sua mãe, vó e Tia, todos sabem que sim, sorriso encantador... para isso, o garoto realiza tudo que faz em cinco mil vezes sem parar para pensar; o mesmo é orador e engenheiro, faz tudo em alto e bom som, bom volume musical, encorpado, muita energia, redobrada atenção, gesticula, nova atenção, mastigação demorada, retorna, apresentando-se, progredindo mil vezes, não esta bom, sem satisfação, irrequieto, chafurde ia-se em ralos sujos em busca de diversão.
Dona Dedimar, avó do sujeito, chama-o para a ceia, após um ano sem rever o peste envelhecido, carinhosamente, homenageia-o com palavras doces e meigas, de uma senhorinha vovozinha fofinha, dedicada ao lar. Pois é natal, todos estão à mesa, todos querendo refletir, todos querendo ajudar e todos seguindo bons valores.
…Eu sei, tia, é tudo muito repetido, essas coisas são assim, não vejo graça nisso. Vire-se e vire-se várias vezes, sempre com esse vocabulário sem boas nuances, não vejo ligação entre essas palavras.
Todos na rua são assim, é por isso que sou infeliz no natal, não dou valor pra essas vidas, para os nossos sonhos irrealizáveis, essa data não me torna capaz de ser feliz, portanto, obrigado pelas meias e palavras.

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Fagulha

Paro e penso, quase, sobre-tudo:
Não aguarda o sinal para partir. Olha a sua volta e se vê só, por não entender o porquê de ninguém entender.
Alimenta, à centelhas, os corações alheios para o mínimo de conforto.
Sabe o poder que tem, mas não usa. Mesmo assim, se abusa em não sentir para sentir e ter o que pode dar; um belo mundo em matiz, sinestésico, ímpar, com gosto de adeus.
Não sabe por que é diferente e tenta ser igual a todos.
Os seus olhos, janelas de bordas marrons, onde muitos já se perderam no que alí se cabe (tudo). Pobres tolos perseverantes, enlouquecidos.
Seus cabelos valseiam com os ventos; porto de olores entranhados. Um convite irrecusável para memórias olfativas.
Sua boca, morada de sonhos travestidos de beijos e dúvidas, como néctar, inebriando do truão ao bastião. Uma porta para as loucuras do desejo. Arma que fere a quem se deve e a quem se não.
Do corpo, eu só sei que baila e faz da vida a ocasião!