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domingo, 20 de maio de 2012

* * *




Que belas flores me trazes! Desfolho uma a uma e me fica entre os dedos o úmido cheiro a morte que é   das flores tão natural. Debaixo da unha, a seiva, o sangue que delas brota. Sinto arder cada uma, como milhares de espinhos pinçando e rasgando desde estas veias tão verdes.

Ai! Quanta doçura em sinais tão despretenciosamente mórbidos, ai! Num canto do quarto esconde - se entre alvas cortinas o cântaro que sou , de onde brotam essas tais negras rosas, escuras como seus cabelos e densas como a noite só. Angustiantemente mina de minhas horas ultimamente a poesia, me secando os potes de mágoas e cancros.

O som crepitante dessa fabulosa flora se dissemina de tal maneira que a tudo abraça em sua velada sinfonia:  Não ouço sequer meu mais sentido suspiro. Observo cioso meu estrelado jardim, mansidão vegtal que sinto  pois sim, ainda me há de fazer um com o cosmos.


sábado, 12 de maio de 2012

O Norte da Lua


Há tempos não sabia o que era estar em casa. Esse zumbido, os cachorros latindo lânguidos e preguiçosos noite adentro, apenas fitando o vazio.

Parece até que a noite me pertence, ou será o contrário? Nem sei. Essa lua, essa cerveja...
Essa camisa não é minha. Essa camisa é a sua? Essa bandeira mal desfraldada, esse estandarte roto e puído?

Acontece é que lido sempre com o que é provável, por mais descabido que possa parecer. Sente isso, amor? Apenas se cale. Você é tão bonita!

Fauvismos a parte, todos sabemos: Mulheres que calam sabem de cor as tragédias que invocam.

quarta-feira, 21 de março de 2012

ORAÇÃO





O valor das coisas está no valor que a elas damos. Um livro roto cheirando a velharia, uma maçã meio mordida, um velho cacoete arremedado em carinhoso escárnio. Ou ainda um poema bobo, poema fraco, mas que é o teu poema. Poema todo teu. Pois vinde a nós o nosso reino e seja feita a nossa vontade (no princípio, agora e ) sempre. Esta seja a tua oração.

sábado, 10 de março de 2012

A Artemis





De tudo quanto brilha na noite, nada ofusca mais que Diana. Em seus tons dourados espalha, clara, o cinismo de quem te ri o riso largo e rasgado numa hora pra na seguinte virar - te a face.



Se, somente se (cabe aqui algum pensamento de ordem lógica?) te faz por ela se acarinhar, certo é, pobre louco, para mais fácil te devorar. Por isso tão gorda, redonda matrona.






* * *




Tudo para ela é Prata, não te enganes. Nauseabunda e lívida vive de cercar - te e ainda crês nisso um sinal de submissão. Ora não sê tão insano, caro amigo! Que de longe controla a caçadora, muiraquitã ao colo, cada passo e todo ciclo. Vestida de preto é ainda mais bela e perigosa, a Dama do Brumário.



Ria, pois, amada minha, minha amante. Ria da minha demência. Sou presa fácil de Selene, Cíntia... Como todo homem, sou tua caça.

sábado, 3 de março de 2012

Crescido

Meus delírios já não passam de uma febrezinha!

Na fresta da porta entreaberta via-se luz, aurora, coisa que acalentava as noites púberes de sonhos e incertezas que se faziam certezas na convicção do que se era sem ser. Era luz baixa, de vela acesa, que iluminava sem nitidez, soporífera, onde se execrava o chão sem mesmo tocar. Injúrias à terra erosiva da lua.
Mas doravante e insofismável, porta aberta está - completamente - e não se sabe dar sinônimos à esse clarão. E já não falha o gosto de chão, que no horizonte já se embaralha com o céu.
Isso é artifício do tempo que é artimanha do fado que se dança com os malditos vícios - escapismos - pendurados nas costas. E dói. Pisa-se em expectativas como papel. E a felicidade toma formas espinhosas. Tudo é falta, não sobra.
Mas esse é o caminho natural das coisas, certo? As invariáveis subversivas já não passam de nostalgias em mesa de bar. E tudo aquilo que fora referência não anda um centímetro nas estantes.
O velho é o novo. Aquela conversa maturada de "quando tiveres minha idade" vai se fazendo presente, tomando corpo, o teu.
Agora o desejo é não se ver só, numa caixa de vidro, aconselhando a juventude de que aquilo é passageiro como o trem que se precisa pegar para o trabalho.
O que se espera é alguém com um beijo de primeiro encontro e o abraço mais robusto do mundo - firme como o quê? - Que alivía o azedume do dia, interpelando, em juras de amor, como o mesmo fora.
Assim, a dança vai ficando menos dolorosa. É para quando a música parar. 

Bem que vovô me falou!


terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Cena comovente # meia dúzia








(Certo dia em certo bar de certa fictícia e decrépita cidade)




- ... e é bem isso. Tão logo a luz de meus olhos fez pouso em tua Graça e meu peito quase explode, o sangue me correndo veloz qual um bólido, rápido o bastante para dar a volta ao Mundo e no mesmo instante estar de volta em tua presença. Uma queimação, dor, quase que um calor apertando me as costas. Pálido, suando tal e qual um animal, mal e mal fico em pé, tamanha tontura este encontro me traz, como assim o derradeiro. Tremedeiras que me sacodem toda a estrutura...

- Mas meu bem! - secunda ela por trás de um irônico e indisfarçável sorriso - Isso não é bem amor. Isso é um enfarte!

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Lá como cá

Simulação do experimento realizada no interior de MG.


Parece que lá é como cá... e que macho é macho seja de qual espécie for. Dupla formada por um psicólogo e um economista de Yale resolveu ensinar macacos da espécie capuchinho noções básicas de economia usando para tanto certas quantidades de fichas de plástico ou metal por alimentos mais ou menos apreciados pelos animais.

A surpresa maior não foi por conta da facilidade dos símios em aprender conceitos mais abstratos como de "poupar hoje para aproveitar mais amanhã" mas como conseguiram se influenciar em estruturas de apostas e prostituição! Clicando na foto há mais detalhes sobre a pesquisa que mostra no fim das contas que em matéria de malandragem não estamos sozinhos afinal...

domingo, 29 de janeiro de 2012

A Lagoa Densa



O menino se jogou na lagoa escura, pardacenta. De pronto viu - se velho. O sentimento de aconchego, calor do momento, pouco a pouco tornando - se em angústia de se achar naquele opaco espelho d`água onde mal e mal se via (quanto antes se percebia). E ainda assim, nesse aguaceiro onde pouco ou nada se adivinha, maior a cada braçada a vontade de descer ao fundo disso tudo. Quanto mais ao fundo, óbvio, menos fôlego. Já sem ar e ensopado de tanto nada, o menino (agora velho ) decide ir embora. Mas pra onde, sem noçào de alto e baixo?O relógio anda só pra frente. Não se cabe outro fim pra essa história além da mais obscura das dúvidas. Não se sabe se vivo ou o que. Se sabe senão que está no lugar errado. Ok... Pois que lagoa e menino apenas se suportam na tensa espessura do invadir que dividem.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Maior que eu








... e dizendo eu te amo mais que tudo , amor infindo , eterno, maior que o mar e que as estrelas, incontável nos grãos de areia. Porra, mas que ego grande o seu heim??

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Tango





Dançamos, eu, você, tanto quanto atravessados em meio a cortejos intermináveis.


Sagrados corações maculados pelos pecados do Mundo, beijos traiçoeiros com sabor de vinho e massa e peixe. Num mundo de dor e cicatrizes recém mordidas, em quem confiar senão no álcool? Há aparências que enganam, por certo, mas creia que o pior cego é aquele que quer ver.


Buscamos sempre o sagrado, o místico, graals - Soma de sangue, gozo e dor. Um copo atrás do outro, as pernas se embolam. É deliciosa a sensação de estar pra sempre bêbado. Mas que não se engane nosso pequeno dançarino: Não há fígado que aguente tamanho martírio, tão perene flagelo, por doce ou picante que pareça essa dança. É que como prevê o ditado, se precisa de um par pra dançar o Tango.



sábado, 31 de dezembro de 2011

Sem palavras pra 2011

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Sobre a ausência

Direitos de imagem: Yury Aires in: Ensaio sobre a ausencia (www.flickr.com/photos/yurymaori/5971349725/in/photostream/)






O que se tem a falar quando tudo já foi dito? Absurdos. Mas afinal, do que é feita a vida?! De som? Não, não. De silêncios, de espaços (onde melhor se encaixar) e momentos (quando muitas vezes se impor é o mesmo que se deter) a se repetir.





De todas as ausências, aquela presente é a que dói mais... no toque velado de sua mão fria é que minha espinha quase congela e arde cada átomo, cada fração de tempo. É como se estar Zumbi: dotado do mágico poder da inércia.





Parece a amputada perna do "herói" de guerra que insiste em se coçar. Dói. Não devia, mas ter você aqui dói exangue e silencioso como um câncer.





Sou eu Senhor de coisa alguma, na doce liberdade de sua caverna - onde estou preso - imóvel. Sem futuro ou passado há somente a cela dos selos (sete?) feita com c'os tijolinhos amarelos desse dia que teima em nascer. É, melhor quem sabe não se abster.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Projeto


Toda a tecnicidade que tenho nada me adianta. De que me serve o que não tem sentido? Aquilo que trago em meu peito, escarro e assim me parece muito bom. Jogo com ela e com todo o mais, pronto, bacana... Estou aqui e me parece ideal. Se me engano? não, não creio. Porque deveria ser diferente? Amem a minha prosa, meu verso rasgado, minha agonia de estar preto no branco e, assim sendo, estou satisfeito. Signifca essa porra toda alguma coisa? Jamais saberemos antes do fim. Fico no meio (lugar comum) de tanta coisa dita apenas e somente apenas por não ter ainda a consciência de quão longe chegarão as projeções daqui. Não que de fato me importe. Se bem que, de fato, outrossim não me daria ao trabalho de externar tamanho lirismo. Não por gozar de estar onde estou, mas porque não sei ser mais do que eu posso agora. Dou o que tenho, e o que tenho então a dar é bastante. Será mesmo? ah, que importa?! Fecho meus olhos e lá fora há barulho de chuva: cá dentro, não. Um dia hei de olhar pra trás e rir me de tanta inocência. Se hei de sentir falta de tanto quanto pra trás ficou, isso sim é coisa que só quando estiver além devo saber melhor. Melhor, assim, não sei se quero. Não que faça tanta diferença. São só palavras, imagens distorcidas . De perto não se percebe o tamanho que tem tudo isso. Mas sei sempre que tudo que tiver a dar, darei. Seja a você, parte indissolúvel de mim hoje, seja àmanhã, parte de você que a mim ainda não coube. Eis aí o foco onde, por fim me encerro.

domingo, 13 de novembro de 2011

Palavra


Palavra atirada abala,atinge, fere e quando lançada, não volta atrás. Por mais que seu Eco desapareça no tempo, seja a boa palavra ou qualquer uma outra, uma vez mirada no coração não se perde ou se perdoa.
Lhes dou minha palavra mais que de homem, palavra de Poeta.

sábado, 29 de outubro de 2011

Reis (in: ) Satisfeito


Quero tudo o que não me pertence, porque o que é meu já não me basta. Deem me o Mundo, deem me Gaia, deem me Ela numa bandeja de prata. Me joguem aos leões se preciso - pouco me importa.

Das cinzas do meu cigarro vem me o gosto pouco doce da vida, e como é bom, não? Inspiro e trago pra dentro tudo quanto aspiro, todo oxigênio e grandeza de uma paisagem onde me insiro mas não caibo.

Sim, sou da vida, por mais que ela me negue. Não suporto o peso da terra e talvez por isso, mirando a Lua, queira içar me pra junto dela. Perco, logo insisto.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

De poucas palavras


Um beijo é a conversa de duas bocas que falam sem proferir palavra. Quantos discursos, amante, já não se deitaram nos lábios teus, doces pequenas Papoulas encerrando teus risos?

A oratória tua, quanto deleite já não me trouxe pelas papilas macias de teu tapete quente e úmido?


Que seja essa minha cela, e que nela me prenda.Acho que te amo, mas não o digo. Não sei. Amor não se acha assim. Te digo então o que eu acho, ora, e é que amor não se diz: Amor se faz.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Ouro de tolo, Ouro de Preto

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O benefício da dúvida

Quisera ter tua certeza, tua leveza

Leviana

Quem dera ter tua esperança, tua arrogância

Despropositada

Pudera gozar tua ganância, ignorância

Bendita

Ai, que infinita jactância a tua frieza, tua natureza

Indulgente

* * *


Mas meu coração é vagabundo (tal qual na canção se apresenta).

Nele não cabe todo Mundo, então arrebenta

De dentro pra fora.

Me sobra o avesso:

Do homem o peso

Do ontem o agora


sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Vênus


Curioso, mas a mais brilhante, passado aquele inicial período de natural encantamento, nem parece mais tão brilhante assim. Olhe em volta. Há tantas outras!
Princesas... Caçadoras... Sátiras que nos moldam heróis. Ora, perceba, ela sequer tem luz própria! It's a gas. Missed.

Há todo um universo pra navegar, outras tantas rotas, tantas direções. Finito? Não, não mesmo.
Supernovas por todo o lado. Olhe em volta e perceba. Horizontes a se romper, lembre se: Por vezes demora mais de milênio até perceber que a estrela que admiramos já há muito está morta.
Ela, afinal? A guess. Missed. 

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Tudo que é bom



Nota mental: Não deixar de curtir o que te dá prazer pelo simples motivo de que te dá prazer. Se permita curtir, se deixe gozar, se esqueça do resto do mundo e do tempo todo.
#Desintencionalidade