quarta-feira, 28 de setembro de 2011

O benefício da dúvida

Quisera ter tua certeza, tua leveza

Leviana

Quem dera ter tua esperança, tua arrogância

Despropositada

Pudera gozar tua ganância, ignorância

Bendita

Ai, que infinita jactância a tua frieza, tua natureza

Indulgente

* * *


Mas meu coração é vagabundo (tal qual na canção se apresenta).

Nele não cabe todo Mundo, então arrebenta

De dentro pra fora.

Me sobra o avesso:

Do homem o peso

Do ontem o agora


sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Vênus


Curioso, mas a mais brilhante, passado aquele inicial período de natural encantamento, nem parece mais tão brilhante assim. Olhe em volta. Há tantas outras!
Princesas... Caçadoras... Sátiras que nos moldam heróis. Ora, perceba, ela sequer tem luz própria! It's a gas. Missed.

Há todo um universo pra navegar, outras tantas rotas, tantas direções. Finito? Não, não mesmo.
Supernovas por todo o lado. Olhe em volta e perceba. Horizontes a se romper, lembre se: Por vezes demora mais de milênio até perceber que a estrela que admiramos já há muito está morta.
Ela, afinal? A guess. Missed. 

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Arena


O telefone toca.

O telefone toca outra vez.

O empedernir não é proposital. É uma coisa que veio empírica, sabe? Algo que petrifica por desgaste, na distância que esconde o gesto. Algoz de uma esperança torrada pelo sol. Atender está fora de questão.

Da janela eu vejo a rotineira ambulância na porta do asilo vizinho; mensagem de um tempo que arrebata.

Por falar em tempo, ele me pegou. Me vejo mais velho pelo espelho. Parece que tomei um "pileque homérico" nos anos passados, parece que todo o mundo tomou.

Por onde estive todo esse tempo?

Porventura vivendo de sonhos, alimentado por sândices e portentos. - me diriam

No reflexo, o sol me cabe todo nos olhos. Cerro-os para evitar as retinas queimadas; e continuo assim por um bom tempo. Até que o telefone toca mais uma vez. E eu, no susto, abro os olhos, num mundo todo meio azul, veias saltantes, me lembro do que acordara comigo mesmo: Não atender.

Pedra. Mas meu telhado é de palha. Só que eu não quero suas palavras frias na minha orelha quente ao telefone.

O que aconteceu não foi natural. Escolhas não são naturais. É que foi se perdendo os detalhes. O comodismo foi aprisionando-os um a um.

Droga! sempre detestei atender telefonemas. Um medo velado em timidez, talvez. Mas este, este em especial, este que toca agora, me bate como um sofista sem discurso. É como dizer ser "poética a presença do homem no mundo". É como é: patentemente amarga, contraditória.

Quarta vez... atendo.

Na boca a sinestesia do gosto cinza do nosso último beijo, me impedindo de despejar as palavras no bucal do aparelho nesse dia tão ensolaradamente paradoxal.

A princípio só ouço o silêncio - engraçado, né? ouvir o silêncio - logo após, a respiração ao fundo. Meu mundo cai por terra no mesmo momento. É como gostar das várias versões de uma mesma música; gosta porque é ela.

Um alô, de anteparo, me vem.

Eu te amo! - Nada mais assolador do que o que você não espera. É como estar em uma arena de gladiadores com apenas um pedaço de pão nas mãos.

Eu também, vem pra cá!?

Não posso, não consigo! - e ela desliga

E de súbito, irrompe o som do remate - o de ocupado, sabe? tu tu tu - uníssono com as cornetas do fim da minha batalha pessoal e com o meu coração. Mais literal que o que vos escrevo.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

Pra Secar



Mata-me enquanto uno,
Me enterre em uma terra qualquer,
Pois, ao passarem as horas
No tempo em que não mais me quiser,
Far-te-ei fatia de mim
Numa minha sociedade amoral
E verás em todos os quintais
Minh'alma estendida no varal
 

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

tupá tupá! com gosto de churrasco

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Tudo que é bom



Nota mental: Não deixar de curtir o que te dá prazer pelo simples motivo de que te dá prazer. Se permita curtir, se deixe gozar, se esqueça do resto do mundo e do tempo todo.
#Desintencionalidade

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

" (malandro) " Crente

Punk Crente
Merda
Eu adoro quando o punk vira crente (oh oh oh)
Eu adoro quando o punk vira crente (oh oh oh)
Porque se for pra encher o saco
Que ele encha com Jesus
E não com anarquia, atitude, como ser punk
Ou me pregue numa cruz
É bom que ele tem vinil raro
E vende bem barato
Cólera, o Começo do Fim do Mundo
SUB e Ex-comungados (Ali Right!!)

diálogo durante o solo:

- E aí meu irmão.
- Liga brother, to querendo comprar aquele seu EP do Lixomania.
- Po*ra, 10 reau pra você.
- Pô, 10 reau não cara! Ta sendo muito capitalista comigo, que isso!?
- Meu irmão, cê ta moco, cara! Esse EP é raro pra car*lho! Eu só to vendendo, não sei, é porque eu não escuto mais, que minha religião não permite!
- Rapaz, agora que a sua religião não permite, por quê você vai querer um po*ra dum CD? Cê ta curtindo modinhas capitalista. Eu sei que Jesus é um cara meio capitalista, mas pô, faz um disconto aí pros brothers.
- Ta bom, ta bom, ta bom! 5 conto.
- Ah, aí é legal! Vamo fumar uma pedrinha de crack.
- Que isso? A minha religião não permite!

Ahhhh oohhh
Ah Jesus!!! Ah meu Deus!!!
P*ta que o par*u!!! Quando o punk vira crente!!!
Eu também adoro quando o punk vira crente!!! oohhh!!! oohhh!!!
Eu adoro, ha ha ha! Eu adoro quando o punk vira crente.

- Fechado o Negócio!

sábado, 10 de setembro de 2011

Três vezes água (460°)

Cercados de água, disformes limites, convite certo a caminhos errantes. Assim se cresce por aqui, alijados do restante do mundo, representantes primeiros de tudo quanto é último. Assim se cresce.

Sozinhos, como o resto. Limitados – pela sua geografia. Limitados – pela história sua. Limitados sobretudo por seu infinito senso de limitação- e quanto pior – o seu primitivo senso de imitação. Guiados por mensagens em garrafas que teimam em atravessar os tempos. Atrasados ecos daquilo que um dia já teve sentido, restos de naufrágio. Salgados de mar e ferrugem, ecos que soam como leais cópias de diretrizes inquestionáveis.A nós, ilhéus, nativos de um mundo perdido, nos bastam. Por isso brindamos o alheio, como oferendas que nos chegam das ressacas de além mar...

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Enquanto isso, Ilha afora...


Feliz 6/9!

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

- Senhor! ... deixou cair sua vida..

Bajular a preta, convencê-la de si mesma, dar costas ao capeta, servir ao ostracismo em si mesmo, carregar nos ombros às costas volumes pesados, contar rasgadas maneiras de fazer-te feliz, sanar seus vício, carregar seu embrulho pelas ruas sujas, lisonjear, golfar na sua privada e limpar com a língua, manter sua atitude em dia com perseverança de um davi, para manter seu leito cheio, adular socadas vezes a sua beleza. Pronto, você pode descansar aquela alma que já foi viva, pode morrer agora, senhor bobo.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

No princípio, agora e sempre

" Lembre - se: Mesmo Deus tem senso de humor. Veja só o Ornitorrinco." Kevin Smith, cineasta



Jardim do Éden. Satisfeito com sua própria criação, Javé decide que para manter sempre impecável toda a beleza e esplendor recém criados, deveria Ele designar guardiões, gestores de toda fauna e flora que ali descansavam em berço esplêndido.

Viu pois o Senhor das Esferas as abelhas com seu zumbir agradável... Tão diligentes e felizes em ver seu trabalho ser cumprido, tão cientes e orgulhosas em poder colaborar com o bom-funcionar de suas colméias!

Mais uma olhada e percebe o Alfa e o Ômega as formiguinhas a carregar coisas de lá para cá, sempre alertas e dispostas, sem deixar um só segundo de dar seu melhor em prol da coletividade. Mas não. Ainda não era isso...

É quando percebe, extasiado, todo o potencial escondido de uma raça! Tudo aquilo que de mais absoluto, arauto maior de sua obra, tinha a oferecer o povo seu eleito. Num canto isolado do jardim, deleitando – se só, está um macaco pelado, a se masturbar feliz e despreocupado, sem saber de toda aventura que dali por diante caberia a cada filho seu e de sua subversiva Eva.

E o resto é história, meus amigos.

sábado, 27 de agosto de 2011

Onírico


Quando acordei, levei um susto. Eu estava de bruços e tive um pesadelo. Daqueles bem soturnos que nos fazem transpirar suor e receio de que aquilo seja real.
No instante, entre o fatal e a ilusão (aquele em que você tenta entender se o vivido foi verdade ou não), eu a vi ao meu lado. Tão plácida em teu sono, um sorriso leve marcando teu rosto. Devia ser um sonho bom.
Mas, ao meu remexer na cama, na entrelinha de quem reclama que o outro não acordara, ela abre os olhos, como quem abre as janelas em um dia ensolarado:

Que foi? ela me pergunta

Pesadelo, dos terríveis!

Com o que sonhara?

Noites em fogo, um beijo, tudo de novo!

E eu dormia de bruços!

Que estranho! ela diz. Nunca te vi ter pesadelos de bruços!

Pois é, nem eu!

Me abrace e voltemos a dormir, meu bem!

Não consigo! Estou afim de sair daqui e comer sem faca, não pentear os cabelos, vestir qualquer roupa e largar um foda-se pra tudo o que você disser!

Mas você não me ama? indaga a minha amada

Amo; e é por isso mesmo que eu quero ir embora!

Você lembra do livro Édipo Rei? subitamente ela me lança

Lembro, porquê?

Não, nada. É que me veio à cabeça o fado de Édipo, os enigmas decifrados da esfinge e tudo que o acarretou por culpa das atitudes de seu pai, o rei de Tebas.

Pobre Édipo, furou seus próprios olhos ao descobrir o que tinha feito. Maldito destino. Eu lembro sim!

Pois é, maldito destino!

Leve um casaco, pois está frio para lá das portas!

É, acho que vou levar mesmo. Adeus então meu amor!

Adeus!

Caminho em direção à porta. Abro-a e um clarão me põe de volta na cama, naquele mesmo instante; entre o fatal e a ilusão:

O que foi? ela me pergunta

Pesadelo. Terrível. E eu dormia de bruços!

Que estranho, você nunca teve pesadelos de bruços...


quinta-feira, 25 de agosto de 2011

2 adolescentes

Dois adolescentes vívidos soltam uma mesma faísca, não lhes falta nada... somente a brasa daquele impacto iminente, saindo do colapso astral no mesmo momento, apresento você a você mesmo, com lábios que a muito não toca a muito não bebe, sedento daquilo que um dia te fez feliz, soa o tempo com artifícios mil para satisfazer-te, segue o tempo no curso do melhor vinho, vem me ver agora!... Vem te ver agora, chega desse tempo de ostracismo que te fez crescer, digno de aprendizagem; voa naquela frequência só nossa..., ouça aquela música, me parece com você, viva aquele dia que me perdi, no trago lento direto na sua pele branca... pausa pela contramão da distancia, pois ainda esta perto. Aquilo tudo que sentiu, veste a nossa melhor roupa agora.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Séu Cifrão

Pasme com a criança na beira da estrada à frente dum caminho de lágrimas no asfalto quente, com aquele jovem rechaçado com dores de dente e com uma senhora que insiste em dizer ser amada.
Pasme com a vida descrita pela nossa história mal-dita e com a coca-cola na geladeira, ao lado dos verbos do seu léxico e da margarina.
É que nessa guia miserável, vamos nos fazendo de ensejos, nos esbarrando em carinhos feitos por mães modernas, lacônicas, e correndo atrás de uma influência paterna escondida por detrás de TVs e automóveis.
Sem heróis para sustentarem hipóteses, teses ou antíteses; sem foz para desaguar nosso mar, afogamos identidades, que se lêem estandartes, em referências absurdamente gastas pelos nossos próprios conceitos morais.
Que numa prece, então, rogue-mos nos altares da rotina, para um deus lobista, inexorável, e seus três poderes - moeda, mercado e o capital - por sonhos mais caros e muita proteção fiscal.

domingo, 21 de agosto de 2011

JUGGLAR


Agarre - te com todas as forças, Náufrago - paraquedista
Singular
A barca vem jogando, e o teu sangue a coalhar
A praia é quente e boa...
Mas tu careces de mais, tua carência é de mar
A expectativa é a chama, o "querer voliçar"
Seu infinito profano
Torna e retorna a voar, a sentir
O pulsar
E querer ser, querer fazer
Mas não ter
Ah, o simples fato de que não pode ser, Deus Como te excita, o quanto te dá prazer!
Mas é sempre gostoso o doer.
Teu gozar é naufrágio
E viver será sempre
Teu perpétuo adolescer

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

(A)manhã

Quero viver por mais um dia. Só. Um dia está bom.
Pois, no ontem, abri a porta dos tantos mundos e vivi, de fato, algumas horas, na consequência de "umamanhã".
Doce manhã; véu cândido que cobria nossa dança ungida sob os lençóis, lavrando o infrutífero, trazendo a chama posto que é coração.
Um dia. Se eu soubesse o que viveria, viveria só para saber.
E que por este dia desejoso, a mais, me venha, aos goles, aquilo tudo de ontem. Onde pude beber de todo seu ser nesse resumo.
Sou o notívago que desiste da noite para te chamar no portão, gritar teu nome santo e sentir na boca a canção, quando acende a luz e tua silhueta me é clara, na aurora conjunta.
Ah! Por dias assim, me vejo contando tudo para o velho da praça, jogando bola com as crianças na rua, correndo às gargalhadas sem motivo algum; talvez, motivo, por uma vontade velada para chegar logo e fazer-me de todo a possibilidade, de saber, se amanhã também será.
Mais um dia. Visto que foi lá que deixei meus óculos e minha escova de dentes.


quarta-feira, 17 de agosto de 2011

O Sustentável Peso do Ser

Olha só esse cara que miro no espelho
Ostentando o erro crasso do amor fati
Sem o sabor do sofrimento, açodado
Amando o destino seja como for.
Sou eu mesmo quem vejo alí?
Ou apenas um retrato de meus pais
Que por suas vezes, cópias de seus pais?
Cópia da cópia da cópia da cópia...
De um universo que me copia
Com o peso, na ausência da leveza
A não-leveza que me toma razoável
A não-liberdade que me prende
Na finitude perante o infinito
Na compaixão, no eterno retorno
Porque eu sou o louco que volta
Para fazer tudo de novo
E ter ver nua com esse chapéu-coco

Amigos

Pode falar da pirraça, de tudo que sente, pode falar da desgraça e da vida que entende, pode falar dos caminhos e transtornos da gente, pode reverberar sobre o tumulto no futuro inconsistente, pode dizer sobre coisas que jamais terceiros vão saber ou entender, como num tumulo consciente, pode agredir verbalmente sem medo do desgaste eminente, pode estar num estado puro, imoral ou transcendente; pode vibrar, chorar e sorrir livremente.
Sem condicionais para sobreviver, sem meios para entreter, você, mesmo assim, vai estar ali, fixo sentimento, não vai passar esse tal abstratismo, pois concreto... sempre será; divino e santo, maldito ou fraco, cerveja ou água, livros ou rock; diga aos amigos... estarei sempre aí.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

LAVAGEM

O ser humano(massa) pode ser encontrado no lixo, mas dele não pertencerá, pois o lixo se reciclará em sua grande parte, o ser humano não.

sábado, 13 de agosto de 2011

O Macróbio

Pobre de mim
Correndo tanto tempo
No afã do ocaso das glórias
De alma vendida, gosto ruim na boca
Batendo com a cara na porta do inferno
Fazendo de retalhos asas de será(fim)

Pobre de mim
Olhando por tanto tempo
Para o Sol, para a Lua, estrelas
As folhas secas decaindo das árvores
As palmas no ar que fazem dos pássaros
Agentes de uma promissora liberdade

Sonho de mim
Que me arranca toda a noite
Uma flor de cada vez, hora a hora
Me alcunhando, acre(mente), senil
E à revelia, no remete alvo
Taumaturgos blasfemando o jardim

Sonho de mim
Vem desligar essa televisão
E tentar fazer de poesia, redenção
Para dividir logo, tudo pra todo
Puxar para perto deste peito
No abraço, plenitude, eternidade