quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Mobral

                                                                                                                    
                                                                                                  Slot gosta chocolate


  Se um dia eu deixar de te escrever, por favor não veja nisso um abrutalhamento. Nem tão pouco um analfabetismo repentino, sumiço súbito com todas as letras.Mudar é quase isso de chamar um nome no qual se pensou mas acabar por se ecoar num outro.


                                               *                             *                             *


  Estranho mesmo é fingir que se ignora algo. É penoso por demais, e ademais completamente estéril.
Minha atenção repousa somente no que toca o canto de meu olho - embora não me lembre ao certo onde tenha visto isso. Você deve se lembrar como é péssima a minha memória e grande o meu talento em complicar o óbvio. Como um bom menino que não pode prestar atenção; não sabe se comportar.


                                                *                             *                             *


 Se um dia, amada, deixar de te escrever é por pura e simples impossibilidade a te berrar "Não posso mais! Não posso mais!" uma vez esgotado o mundo que trago no peito, ou seja, quando me pare o latejar de espasmos que é meu coração (involuntário filtro, imprevisível bomba) aí que sim me calarei. E nem um minuto antes.


domingo, 19 de agosto de 2012

Ambivalência.


From the beginning.

Não há dúvidas que os impulsos que se originam dos mais tenros instintos nos levam à procura do prazer instantâneo, arrastando-nos ao desequilíbrio e à consumpção física e emocional.

No mesmo instante, a disputa por um lugar nesta prisão urbana e existencial, das couraças em danças, das ambições exageradas, dos anseios do sentimento e dos desejos perturbadores contribuem para que se instalem tormentos íntimos no ser humano, levando-o a distonias emocionais. 

Os compromissos em tempo mínimo, o tráfego de­sumano, o medo, a angústia, contribuem de for­ma preponderante para que o equilíbrio se desnorteie, dando surgimento a disfunções com ten­dências aterradoras. Sensacional? Pós-moderno? Não! Alarmante. Ainda possui dúvidas em relação ao alarme? Incrível.. Eu também! Várias.. Ainda assim, nos vejo de forma massificada, no volume perturbador que nos opri­me: descaracterizado-nos, perdendo a indi­vidualidade e tornando-nos títeres dos hábeis orientadores de conceitos, que também se equivocam e, sem rumo, estabelecem com­portamentos que interessam ao mercado das sensa­ções - ainda duvida dele?

A busca do prazer - no bom sentido - emula à luta, ao tempo em que desgasta a emoção, precipitando frustrações: Quando a resposta não é como queremos, a ansiedade vem à tona e a tortura, sua fatalidade.


A histeria, tão somente ela.

Soa como um bit - dependendo de sua arquitetura computacional (zero e um?) e da capacidade do seu processador - mas pelos privilégios da jornada e das peripécias das relações de poder, que proporci­ona destaque social, prestígio político, privilégios, cons­titui-se meta central do comportamento humano, como se a própria existência pudesse reduzir-se à transitori­edade...

Porém, na massificação, a fraqueza deve ser dissimulada: O que mais importa é a ausência de proposições, como se toda a vida pudesse ser avaliada pela levian­dade. O indivíduo psicologicamente desajustado sente fome de massificar-se. Porém, o êxito não é portador de magia, não há máscaras que consigam sustentar a dor, uma vez que o absurdo já esteja instalado e identificado.. Quanto mais apressar o passo, mais assustador o absurdo será.

Ainda assim, mesmo quando conseguir um estágio de fuga, verás o tédio, que sucederá à conquista, e se instalará, até que outra moti­vação forte levante o ânimo, que se lhe en­trega, vivenciando fases de comportamentos instáveis.  

A vitória daqueles que não vencem. 

Cremos, desvairadamente, que o êxito é quem mensura os valores através dos quais nos diferimos. Infelizmente, ele se encontra em qualquer tipo de busca, não somente econômica, mas também cultural, científica - Sieg Heil Academia -, social, artística, seja lá a área que for necessário o desem­penho e a manifestação de valores.

Por mais que insista em sua exaltação, decorrente dos fenômenos de fuga da timidez, do medo de ser desco­berto na sua realidade conflitiva, torna-se necessida­de emocional para destacar-se da massa: A triste noção de não ter valores éticos ou intelectuais, artísticos ou quaisquer outros que o diferenciem, chama para si, os conflitos disfarçados e exibe a tormentosa condição que o diferencia, po­rém, de maneira perturbadora. 

Por esta ótica, estamos todos juntos na fina camada do terror contemporâneo, marcados à ferro e fogo pelo símbolo da ausência: De si, de todos, de nós.  Esta guerra? Nós a perdemos. Estamos nos arrastando ine­xoravelmente à desidentificação, nos campos de concentração onde a única tortura é o self. 

Se há esperanças? - caso haja, me diga! - Mas, para nosso conforto, contrastando-me, posso lhes dizer

Participar da sociedade, não signi­fica perder-se, esvair-se, tornar-se invisível em meio ao coletivo, mas identi­ficar-se com as suas propostas, harmonizar-se com a mesma, sem deixar de ser a própria e única estrutura, ter seus ideais e ambições, seus esforços e talentos, pois a harmo­nia depende do equilíbrio das inúmeras partes que constituem o todo.

Fecho o desabafo como uma command line em blackquote que executo no console dos scripts que construo enquanto trabalho: </life>

Alfa amar, Alfa ao mar



O contratempo rasteiro, torna o sujeito suspeito, meditabundo, destemperado... aos olhos da vida persegue um alvo, sabedor que este, há muito, informa caminhos errados, privados momentos de acertos, sem recalque. Sem anseio ele vibra, sem tirar o pé do limite desta bacia.

O mesmo, retorna ao ventre maternal, curioso esquema retrátil de alma e poder, dentre vários guias, não tende escolher o melhor. Não sabe. Na outra face, vejo esquema que é mantido; acomodado, perdido. Destituído da menção jocosa de macho, diferente do machista, aquele é um instinto perdido. Mostra-se aberto e sensível, frágil menino, com afagos e mimos; artístico e criativo. Mecanicamente inativo.

O conclusão é tortuosa, o estrago é a incoerência, o vestígio do tempo preso neste engodo, é trato de uma fase, uma maneira nova de continuar, vivendo e estabelecendo segmentos desta geração que não passa a encarar, pois é certo em hesitar e amar.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

As Trepadas Que o Mundo Dá


Não saiais por fim dos sonhos tantos quando a boca gela ao beijo desconhecido

Sim, o mundo literalmente dá voltas. A teoria do caos em sua definição circular. Inaudita a palavra de quem o viveu e sabe, por seu instante, os louros que abarca. Toma pelos olhos secos as proporções do horizonte.
Por psiquê, não se reconheça por tuas façanhas, mas sim por teus pecados! Segure essa mão esquálida rente a consciência e entrelace os dedos pela garantia da incerteza. Sim, pois o que move a exatidão é o medo do fracasso. O que move o teu amor é, simplesmente, não tê-lo.
Quem dera visão ao fulgor dessa beleza?  Não te cabe o que brilha na eterna excelência do querer?
A língua é melíflua, veneno afrodisíaco que entupiu coração crente. Canhestra a forma que a volúpia contorna. No vário se vê metamorfose, a pele é metáfora do dia em cordata com a noite. É cria da própria diferença - e assim vai sendo. É pauta a qualquer melodia. É dívida paga a qualquer sorte.
E assim, sob a tutela de um abajur amarelo, percola tudo o que já se vira antes; parece a sombra não querer perder o contato, parece a luz querer saber do que acontece por alí, enquanto a carne faz a sua festa cega de desejo.
E o mundo dá voltas, mas já dera tantas que isso parece ser só vertigem.

Pretirais em virtude de teus lençóis amarrotados

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Ave rubra


                                                     Voa, avae, aberta no ar
                                                     De penas vermelhas
                                                     Rubras de teu sangue
                                                     Um rubor sem vergonha
                                                     Cor de sangue e cinza
                                                     Tua filosofia de vida é vaga



                                                     Pra um mundo tão torpe
                                                     Um mar de gente egoísta
                                                     Cercado de narcisistas
                                                     Mundo de agoras, onde o tempo...
                                                     Ah, que é o tempo? 
                                                     Seja lá como for, não és escrava


 
                                                     És senhora, Dona. Ave que trina
                                                     Os olhos fechados, pra ir mais fundo, voa!
                                                     Voa, ave, avessa ao não
                                                     Pássaro sem futuro, voa!
                                                     Voa, que teu tempo é sempre.




sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Soneto de vagar pelas veredas


    O caminho simples
   É um caminho só
Onde vai devêz
    O que segue o Sol

      Verde ainda, muito
 Anda o pisador
   Vagueando junto
      Gozo, sangue e dor

    Por veredas passo
    Desatento ao todo
   Respeitando Nada

              Vou de encontro ao tempo
       Gasto, o quanto posso
 Ao sabor da Vaga


quinta-feira, 26 de julho de 2012

Fora

Idiossincrática é a saudade. Parece casca de pão no céu da boca.

Um olhar fixo - sabe qual? - aquele em que você não consegue perder a atenção em seu instante, mesmo querendo. Quando se está em profundo pensamento, olhando para o nada. É como se os olhos fossem donos de si mesmos - até onde sei, isso não tem nome. Engraçado, todo mundo tem e ninguém deu nome - Esse era o meu estado, fitando, pela janela do avião, quando a comissária de bordo me perguntou qualquer coisa sobre uma barra de cereais.
Eu pensava sobre tanto naquele momento: sobre os jovens e os seus temores de seguirem os caminhos de seus pais e nisso, envoltos em um "círculo mágico", renovado compulsivamente, onde, amalgamados, em catarses coletivas ou não, são hedonistas práticos, eclesiásticos, doutrinados, do pó ao pó - nunca me dei bem com entorpecente que me obriga a me curvar perante o mesmo para consumi-lo. Parece fender alguma coisa além do próprio nariz.
Pensei também nos mal amados e suas línguas amargas; nas opiniões cegas dos amigos ao dizerem o que acham ser melhor para mim; nos próprios amigos; no linguajar coloquial do passageiro ao lado que viajava pela primeira vez e não conseguia parar de falar de tão nervoso; nos discos do Roberto Carlos e do Tim Maia que meu pai tanto escuta, contíguo as suas melancolias; na cozinha da minha mãe; no cheiro da caixa de remédios da minha casa que já me deixava melhor, de imediato, quando me sentia doente; nas pessoas que vivem as vidas dos outros, pois as suas próprias não são interessantes o suficiente; nos dias que passam depressa; nas minhas coisas e amores que ficaram para trás; no amor que temos do medo - para dançar um tango... - no quanto eu tentei mergulhar para fora da ilha e acabei por ferir o meu rosto na areia - a face desfigurada de quem por lá vive.
Me senti epicurista no sabor dessas coisas e aquilo tudo me tomava por todo. Foi o empirismo em sua sublimação. E como me encontrei alheio - fleuma - lá em cima: certezas renovadas, adrenalina intravenosa, o passo novo do pé cansado.
É, meu poeta! Que em tua terra a acrimônia seja das bebidas etílicas, que o álacre desperte os meus dentes. Que tudo isso que se desdobra, seja como o teu nome na pedra, como o teu nome em minha pele. Seja para alguém uma curva na linearidade da vida. Que seja endêmica a minha vontade. E que eu sinta. Pelos menos enquanto eu estiver por aqui.
Um sorriso de soslaio - sabe qual?

“Pelos caminhos que ando...”

... E perdidos


Giovanna em mais uma das suas



Edificações suspensas na água, escarpidas em carpidos vales e a gente aqui na praça dando milho aos pombos. Como tudo o mais eles também passarão. Ou passaram já?

 Apenas a dúvida parece ser constante, perene enquanto houver quem acredite em tudo o que isso represente. Do firmamento aqui da terra sinto vir, nem sei de onde, o cheiro do Sal que traz consigo a imagem do mar como o princípio e fim de tudo.

Estou perdido porque busco.

Sou perdido porque vaga.

Enquanto isso for possível creio na imensidão com a fé que só mesmo a noção do Nada é capaz de nutrir.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

25 de Julho


                                                  Feliz Dia do Escritor, seu sonha-dor!


Diluindo.


Amai-vos.

Julgava-os serem felizes, hedônicos, sobrevalorizados.. Não há nada que não me deixe mais manietado do que o desconforto - inquieto, sem dúvidas. Um abuso, de encontro ao nítido desgosto: vê-los e sentir essa perecível companhia - repitindo-se em ciclos, assim como expoê (e impõe!) a melodia contida na lírica acima e que bem nos convém.

Cumprimentos vagarosos.

Há sempre mais espaço para a tragédia. No mais, nós limitamos, planejamos e até nos divertimos. Por fim, o mais importante é desviar e distrair. Mas dessa forma não dá - não deu, não dava e não dará . Com uma reticente e desapropriada paisagem. É o morto recente que amamos, aquele doloroso, a nossa emoção, enfim.. Nós mesmos!

Sobretudo, da próxima vez, peçam sempre a sinceridade - com fluidez e um pouco de gelo. Mesmo que esse pedido inquieto seja apenas o de que alguém os mantenha no bom conceito que fazem de si próprios, quando fornecida uma certeza suplementar, extraídas do meu compromisso com as lisuras intimadas.

É possível que a sinceridade seja, de uma forma ou de outra, uma condição da amizade? O apetite pela verdade a qualquer preço é uma paixão que nada respeita e nada resiste. É um vício, talvez diria um conforto, ou um interesse egocêntrico. Um conselho: Caso encontrem o mesmo panorama, não pensem muito: Prometa ser verdadeiro até o fim.


Enfim, no chão.

 
O tombo, supliquei. Sinto agora. No chão, só nos resta reconhecer o fracasso da solidariedade. Ah.. se todos os valores morais aparentassem mais do que senão motivos de vaidade, em sua mais doce castidade. Em épocas de niilismo passivo - quase de encontro ao seu antônimo - não há muito espaço para palavras, tampouco prolixidade e intensos significados. Significados, que por sua vez, são travestidos pela rebuscagem das palavras - e neste exato momento, também a das coisas.


"Quando formos todos culpados, será a democracia".


terça-feira, 24 de julho de 2012

Achados...



                                                         "Bateau Lavoir" em foto de Giovanna Faustini



  As memórias se confundem. Muito pouco se sabe do que é criado, do que é merecido, concretizado ou resignação. O que há de fato concreto ou o que é mera retroespectiva. Quase impossível dizer quantas mil vezes se pode ver uma mesma coisa de modos diversos com a distinção merecida, uma vez que infinitos são os olhares passíveis de se emprestar.

  A dúvida é o quanto há de seu na cidade, traduzido em cantos, igrejas, mercados e almas. Essência pormenorizada de espaço inserido no tempo (razão sem propósito) a ebulir por cada pedra, poros da pequena ilha que é cada uma de nós. 


   Verbos participam (sem saber) dessa oração, mantra em zumbido intermitente a que já não se pode dispensar mais atenção. Engraçado notar, mas quanto mais banalidade mais parece se velar o homem.

sábado, 14 de julho de 2012

Retórica


  A ânsia muda - quem sabe fala entupida - precede um vomitório épico de tudo quanto misturado dentro estava. Vai saber se dor, delícia ou o quê (quase impossível separar) mais que volta, ecoado nesse acalorado refluxo. 

                                                                     *   *   * 

  Há tanto o que se conquistar de tudo o quanto se vê, por mais pisado que seja o caminho... E as gotas de suor, hematidrose aguda e clara, fruto sintomático do que é plantado no esforço absurdo de estar e vivo. E sentir - se. 

                                                            *   *   * 

  Ser, ter e estar acabam se confundindo e levando a gente junto, adiante. Respira!
 Que todo dia é dia novo, dependendo, é claro, de quem repara.

Retumba ! E nasce outra vez.


quarta-feira, 11 de julho de 2012

Barro, Costela e Pecado

Das histórias, eu só lembro do final.

[Porta se abre]

 Eu digo para ela:
- O problema sempre foi o início. As idéias embaralhadas na mente, prontas para escoarem, desaguarem o rio da melancolia na imensidão branca. O mar das letras por onde navegam tantas teses, hipóteses e antíteses; dúvidas. Certezas são tesouros latentes.
- Soubera da notícia de que García Marquez está sofrendo de demência e não mais escreverá? Nossos grandes escritores estão se esvaindo como água - tragam-me o mar desse horizonte - e os novos apenas sofrem a influência e com a fluência reproduzem, mas com qualidade inferior. Pois tudo já fora criado? As referências vão ficando apagadas e amarelas como velhos livros. E o nosso futuro vai parecendo cada vez mais com um papel em branco.
Mas ela nem quis me ouvir e fez logo do nosso quarto alcova para os olhos da noite, querendo, apenas, saber do rumo dos nossos dedos que beijam, umedecendo as vontades que só se acabam pondo fim ao mundo. E isso é demais para mim. Teu corpo é, cada quark, um feito da loucura, chama que queima a alma mais branda, nuvem carregada que não sai do céu e fica alí, se aprontando em miríades de formas que contorno com as mãos. Tua língua é viva estrela que aponta o meu nome. Te tocar é não querer me perder no espaço de cada pedaço e saber todos de cor - coração? E o sabor é de sina; o azedume do suor das nossas rotinas, temperado com o doce da volúpia. É castigo levado aos meus dentes preguiçosamente. Divido tanto o meu sorriso nesse instante que o tempo pára. Quem sabe é luz o que me orienta?
E ela se levanta da cama, se veste, caminha em direção à porta e me diz:
- Está aí a tua referência. Tchau!

[Porta se fecha]

O demente aqui sou eu.

Mosaico




E de repente, não mais que, tudo é drama. Como se qualqer outro gênero fosse menor. Pois em verdade vos digo "Gente, mas isso é tão cavernoso..." ou melhor, platônico. Sim, como o amor ou qualquer outro tipo estúpido de idealização.

Tá tudo bem, moça, eu só tô sangrando. Olha só o que eu te escrevi! Como se sente? De colagem em colagem, imagens em ação, forjo minha vida e obra, como um catador de feijão. Poesia cozida em tramas mal ajambradas. E aí?

É que vive o poeta de ajuntar pedaços de vidas (mal) passadas, ou mesmo natimortas, apostando sempre o que tem de melhor por um seu clichê: O coração. Infelizmente para nós, que antes de antenas somos é mais pobres mortais, não se pode ganhar todas...




Eu sei da sua fobia, vitorinha...







Quando apostava em ti, olhava as ruas pequenas em que as coisas pareciam bem mais palatáveis, com sombras de lugares tristes e os trastes que por vezes passou, padecia o tempo ao compasso a ânsia de ressurgir. Mesmo que os montes envolta queiram sempre surgir e sugar-te, vira-se e brinda, com os bares aplumados em sons pequenos e calados; que pena…a volta do mudo. Pelo fato de fazer parte deste aglomerado esquecido, fisicamente, sentia-te muito ilhado e puído.


Quando “cresceu”, detonado ficou, com poucas chances de vida, esta fumaça que formam os técnicos, os assistentes e os encarregados em produção, os construtores de metodologia lógica, esmerilhadores de placas férreas, humanomotores de contenção de gases e petróleos, mediadores de sucção compressora pneumática e servidores... perto disso, os pálidos pensam em citar o Chico, pra agradar e esbanjar diferença, enquanto toda totalidade forma modelo no mesmo curso.

E o senso de amar? 

Passou. 

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Me Ensina

“Please, don't watch me dancing!”

Meu amor! Você não sabe quantas vezes eu quis dizer isso. Mas o que me provoca o embaraço é a analogia com o fim.
Lutei, sim. Pois as pessoas tendem a lutar. Seja pelo carro do ano, tirando a comida da boca. Pelo estrelato, em barzinhos e festas da cidade. Por descriminalizações, por igualdade. Pelo corpo perfeito, lotando as academias. Por uma válvula de escape qualquer. Lutei como os políticos lutam por prostitutas e reeleições. Como o homem, que colando corações de papel em tudo que vê pela frente, luta pelo humano.
Somos o que somos por não termos sido o bastante. Então, lutamos pelos nossos próprios olhos.
Truísmo no discurso de quem chora. A vicissitude de um beijo de adeus. E as flores continuam a murchar nas floriculturas.
Sempre vi tudo pela TV: que a noite é bela e perigosa, que o homem se protege de si mesmo, que o dualismo nos orquestra e que quase tudo tem carbono.
É que hoje eu tive um sonho e qualquer salva palmas já me deixaria melancólico. Há alguma coisa de esotérica nesse inverno. Vou abrir uma surcusal do inferno em meu travesseiro.
É árdua a luta de quem luta só.. Tive certeza dos meus vícios e preteri pela essência da nossa combustão - carbono, lembra?
É porque o sabor do ar que o lá fora abrangia, era assim, sinestésico, gosto de ventre com ventre, cheiro de boca com boca. Mas o aviso da hora que sempre fora pouca, não nos deixava para tudo que se tinha por ver. E logo voltávamos à nossa programação modelar.
Tive tanto temor do que seríamos que a nossa saudade não tem definição; é um misto de descaso com paixão, raiva com preguiça.
Aprender a desaprender é o que está mantendo as pessoas de pé.
Preciso lembrar de não deixar minhas roupas nas casas das minhas ex-namoradas, enquanto namoradas.

“If all the things you feel ain't what they seem. Then don't mind me 'cos I ain't nothin' but a dream.”

De artíficio



 Luzes espocam barulhentas diante de seus olhos que miram o céu (mesmo sabendo impossível tocá - lo).
Sente - se o cheiro sutil daquilo que se sabe o que é mas não se pode evidenciar. É que é tudo tão breve, tão pouco perene. Quem liga? Quem se importa com a série de reações a se deslindar quando diante dos seus olhos existe tanta maravilha? Tudo é beleza, por mais que queime.


  Que assuste. Fascina. As crianças, esses velhos de ontem, a tudo assistem em tom de espetáculo. Elas é que no fim tem razão. A noite em suas curtas horas é linda e longa, e sem espaço para pausas em sua intangível infinitude. E há fogos no céu.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Rendezvous


Oito horas da noite.

Não pratico esportes, não aprecio músicas atuais e nem sou um amante da natureza. O pôr-do-sol para mim tem um tom de melancolia. O sol? Queima demais, jactancioso; está sempre alí punindo quem ousa observá-lo. E a lua? Risos! Deixo-a para as marés e os românticos.
Gosto de andar olhando para o chão - é o primário que sustém qualquer tipo de sonho e não é muito exigente; uma força e ele te empurra de volta.  E sempre vou andando, pois acho que os carros estão aqui para atrofiar nossas pernas.
Minhas camisetas são lisas, não exibo nenhum estandarte no peito. Não possuo ídolos, pois acho que todos eles são, ou foram, humanos, ou seja, já se viram imaturos e hipócritas pelo menos uma vez na vida.
Não canto em nome de ninguém, não faço jus ao que escrevo. Sei pouco das normas de concordância. Bato recordes de "nãos" numa mesma sentença.
Leio e vejo tudo que posso. Gosto de muito pouca coisa.
Arte? Amarelo, ciano, magenta ou cadeiras retorcidas umas sobre as outras.
Torço para uma epidemia varrer a humanidade da terra.
 (...)

Espero que ela venha desta vez, visto que estou me tornando ranzinza em demasia nestes quinze minutos de atraso.

Hoje fui ver uma cigana que leu a minha sorte.


sábado, 9 de junho de 2012

"Feeling Jeans"






domingo, 3 de junho de 2012

Feito tatuagem


 Teu carinho frio em minha pele é algo que não quero ter. Mas não posso evitar, nunca terei folga de você. Me retorce o senso tua rigidez de cadáver, paciência de angústia. E quando me chega ao ouvido teu clamor, estampido seco de repetição, mescla no peito o alívio com a crueza estranha desse assalto.

 Sinto correr um sangue que não é meu. Meu tão pouco é o gemido que ouço abafado entre teus quentes beijos. Vivo cenas de um filme, e o mocinho pouco ou nada ganhará no final.
Tateando minha cama a buscar - te, acordo encharcado entre os lençóis. Tudo por saber que mudou minha vida e já não há o o que eu possa fazer. Meus amigos me estranham, os familiares se assustam e sei que cego confio só em ti. Não que devesse, só não vejo outra escolha. Não vejo saída.

 Peço a Deus pra que um dia possa de ti me apartar, mas Ele nada me fala. Mais e mais sinto nojo de nossa torpe relação, pois que se me acolhes é que sabes: Não há em ti vida sem mim, enquanto és mero objeto. Até quando, é o que me pergunto. Mas não me diz nada.