terça-feira, 24 de julho de 2012

Achados...



                                                         "Bateau Lavoir" em foto de Giovanna Faustini



  As memórias se confundem. Muito pouco se sabe do que é criado, do que é merecido, concretizado ou resignação. O que há de fato concreto ou o que é mera retroespectiva. Quase impossível dizer quantas mil vezes se pode ver uma mesma coisa de modos diversos com a distinção merecida, uma vez que infinitos são os olhares passíveis de se emprestar.

  A dúvida é o quanto há de seu na cidade, traduzido em cantos, igrejas, mercados e almas. Essência pormenorizada de espaço inserido no tempo (razão sem propósito) a ebulir por cada pedra, poros da pequena ilha que é cada uma de nós. 


   Verbos participam (sem saber) dessa oração, mantra em zumbido intermitente a que já não se pode dispensar mais atenção. Engraçado notar, mas quanto mais banalidade mais parece se velar o homem.

sábado, 14 de julho de 2012

Retórica


  A ânsia muda - quem sabe fala entupida - precede um vomitório épico de tudo quanto misturado dentro estava. Vai saber se dor, delícia ou o quê (quase impossível separar) mais que volta, ecoado nesse acalorado refluxo. 

                                                                     *   *   * 

  Há tanto o que se conquistar de tudo o quanto se vê, por mais pisado que seja o caminho... E as gotas de suor, hematidrose aguda e clara, fruto sintomático do que é plantado no esforço absurdo de estar e vivo. E sentir - se. 

                                                            *   *   * 

  Ser, ter e estar acabam se confundindo e levando a gente junto, adiante. Respira!
 Que todo dia é dia novo, dependendo, é claro, de quem repara.

Retumba ! E nasce outra vez.


quarta-feira, 11 de julho de 2012

Barro, Costela e Pecado

Das histórias, eu só lembro do final.

[Porta se abre]

 Eu digo para ela:
- O problema sempre foi o início. As idéias embaralhadas na mente, prontas para escoarem, desaguarem o rio da melancolia na imensidão branca. O mar das letras por onde navegam tantas teses, hipóteses e antíteses; dúvidas. Certezas são tesouros latentes.
- Soubera da notícia de que García Marquez está sofrendo de demência e não mais escreverá? Nossos grandes escritores estão se esvaindo como água - tragam-me o mar desse horizonte - e os novos apenas sofrem a influência e com a fluência reproduzem, mas com qualidade inferior. Pois tudo já fora criado? As referências vão ficando apagadas e amarelas como velhos livros. E o nosso futuro vai parecendo cada vez mais com um papel em branco.
Mas ela nem quis me ouvir e fez logo do nosso quarto alcova para os olhos da noite, querendo, apenas, saber do rumo dos nossos dedos que beijam, umedecendo as vontades que só se acabam pondo fim ao mundo. E isso é demais para mim. Teu corpo é, cada quark, um feito da loucura, chama que queima a alma mais branda, nuvem carregada que não sai do céu e fica alí, se aprontando em miríades de formas que contorno com as mãos. Tua língua é viva estrela que aponta o meu nome. Te tocar é não querer me perder no espaço de cada pedaço e saber todos de cor - coração? E o sabor é de sina; o azedume do suor das nossas rotinas, temperado com o doce da volúpia. É castigo levado aos meus dentes preguiçosamente. Divido tanto o meu sorriso nesse instante que o tempo pára. Quem sabe é luz o que me orienta?
E ela se levanta da cama, se veste, caminha em direção à porta e me diz:
- Está aí a tua referência. Tchau!

[Porta se fecha]

O demente aqui sou eu.

Mosaico




E de repente, não mais que, tudo é drama. Como se qualqer outro gênero fosse menor. Pois em verdade vos digo "Gente, mas isso é tão cavernoso..." ou melhor, platônico. Sim, como o amor ou qualquer outro tipo estúpido de idealização.

Tá tudo bem, moça, eu só tô sangrando. Olha só o que eu te escrevi! Como se sente? De colagem em colagem, imagens em ação, forjo minha vida e obra, como um catador de feijão. Poesia cozida em tramas mal ajambradas. E aí?

É que vive o poeta de ajuntar pedaços de vidas (mal) passadas, ou mesmo natimortas, apostando sempre o que tem de melhor por um seu clichê: O coração. Infelizmente para nós, que antes de antenas somos é mais pobres mortais, não se pode ganhar todas...




Eu sei da sua fobia, vitorinha...







Quando apostava em ti, olhava as ruas pequenas em que as coisas pareciam bem mais palatáveis, com sombras de lugares tristes e os trastes que por vezes passou, padecia o tempo ao compasso a ânsia de ressurgir. Mesmo que os montes envolta queiram sempre surgir e sugar-te, vira-se e brinda, com os bares aplumados em sons pequenos e calados; que pena…a volta do mudo. Pelo fato de fazer parte deste aglomerado esquecido, fisicamente, sentia-te muito ilhado e puído.


Quando “cresceu”, detonado ficou, com poucas chances de vida, esta fumaça que formam os técnicos, os assistentes e os encarregados em produção, os construtores de metodologia lógica, esmerilhadores de placas férreas, humanomotores de contenção de gases e petróleos, mediadores de sucção compressora pneumática e servidores... perto disso, os pálidos pensam em citar o Chico, pra agradar e esbanjar diferença, enquanto toda totalidade forma modelo no mesmo curso.

E o senso de amar? 

Passou. 

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Me Ensina

“Please, don't watch me dancing!”

Meu amor! Você não sabe quantas vezes eu quis dizer isso. Mas o que me provoca o embaraço é a analogia com o fim.
Lutei, sim. Pois as pessoas tendem a lutar. Seja pelo carro do ano, tirando a comida da boca. Pelo estrelato, em barzinhos e festas da cidade. Por descriminalizações, por igualdade. Pelo corpo perfeito, lotando as academias. Por uma válvula de escape qualquer. Lutei como os políticos lutam por prostitutas e reeleições. Como o homem, que colando corações de papel em tudo que vê pela frente, luta pelo humano.
Somos o que somos por não termos sido o bastante. Então, lutamos pelos nossos próprios olhos.
Truísmo no discurso de quem chora. A vicissitude de um beijo de adeus. E as flores continuam a murchar nas floriculturas.
Sempre vi tudo pela TV: que a noite é bela e perigosa, que o homem se protege de si mesmo, que o dualismo nos orquestra e que quase tudo tem carbono.
É que hoje eu tive um sonho e qualquer salva palmas já me deixaria melancólico. Há alguma coisa de esotérica nesse inverno. Vou abrir uma surcusal do inferno em meu travesseiro.
É árdua a luta de quem luta só.. Tive certeza dos meus vícios e preteri pela essência da nossa combustão - carbono, lembra?
É porque o sabor do ar que o lá fora abrangia, era assim, sinestésico, gosto de ventre com ventre, cheiro de boca com boca. Mas o aviso da hora que sempre fora pouca, não nos deixava para tudo que se tinha por ver. E logo voltávamos à nossa programação modelar.
Tive tanto temor do que seríamos que a nossa saudade não tem definição; é um misto de descaso com paixão, raiva com preguiça.
Aprender a desaprender é o que está mantendo as pessoas de pé.
Preciso lembrar de não deixar minhas roupas nas casas das minhas ex-namoradas, enquanto namoradas.

“If all the things you feel ain't what they seem. Then don't mind me 'cos I ain't nothin' but a dream.”

De artíficio



 Luzes espocam barulhentas diante de seus olhos que miram o céu (mesmo sabendo impossível tocá - lo).
Sente - se o cheiro sutil daquilo que se sabe o que é mas não se pode evidenciar. É que é tudo tão breve, tão pouco perene. Quem liga? Quem se importa com a série de reações a se deslindar quando diante dos seus olhos existe tanta maravilha? Tudo é beleza, por mais que queime.


  Que assuste. Fascina. As crianças, esses velhos de ontem, a tudo assistem em tom de espetáculo. Elas é que no fim tem razão. A noite em suas curtas horas é linda e longa, e sem espaço para pausas em sua intangível infinitude. E há fogos no céu.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Rendezvous


Oito horas da noite.

Não pratico esportes, não aprecio músicas atuais e nem sou um amante da natureza. O pôr-do-sol para mim tem um tom de melancolia. O sol? Queima demais, jactancioso; está sempre alí punindo quem ousa observá-lo. E a lua? Risos! Deixo-a para as marés e os românticos.
Gosto de andar olhando para o chão - é o primário que sustém qualquer tipo de sonho e não é muito exigente; uma força e ele te empurra de volta.  E sempre vou andando, pois acho que os carros estão aqui para atrofiar nossas pernas.
Minhas camisetas são lisas, não exibo nenhum estandarte no peito. Não possuo ídolos, pois acho que todos eles são, ou foram, humanos, ou seja, já se viram imaturos e hipócritas pelo menos uma vez na vida.
Não canto em nome de ninguém, não faço jus ao que escrevo. Sei pouco das normas de concordância. Bato recordes de "nãos" numa mesma sentença.
Leio e vejo tudo que posso. Gosto de muito pouca coisa.
Arte? Amarelo, ciano, magenta ou cadeiras retorcidas umas sobre as outras.
Torço para uma epidemia varrer a humanidade da terra.
 (...)

Espero que ela venha desta vez, visto que estou me tornando ranzinza em demasia nestes quinze minutos de atraso.

Hoje fui ver uma cigana que leu a minha sorte.


sábado, 9 de junho de 2012

"Feeling Jeans"






domingo, 3 de junho de 2012

Feito tatuagem


 Teu carinho frio em minha pele é algo que não quero ter. Mas não posso evitar, nunca terei folga de você. Me retorce o senso tua rigidez de cadáver, paciência de angústia. E quando me chega ao ouvido teu clamor, estampido seco de repetição, mescla no peito o alívio com a crueza estranha desse assalto.

 Sinto correr um sangue que não é meu. Meu tão pouco é o gemido que ouço abafado entre teus quentes beijos. Vivo cenas de um filme, e o mocinho pouco ou nada ganhará no final.
Tateando minha cama a buscar - te, acordo encharcado entre os lençóis. Tudo por saber que mudou minha vida e já não há o o que eu possa fazer. Meus amigos me estranham, os familiares se assustam e sei que cego confio só em ti. Não que devesse, só não vejo outra escolha. Não vejo saída.

 Peço a Deus pra que um dia possa de ti me apartar, mas Ele nada me fala. Mais e mais sinto nojo de nossa torpe relação, pois que se me acolhes é que sabes: Não há em ti vida sem mim, enquanto és mero objeto. Até quando, é o que me pergunto. Mas não me diz nada.  

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Corredor



Arrumei a casa pela última vez, era temporada invernosa de 40 graus, sentia o espírito fervendo mais uma vez. Palidamente, me escondia perto das almofadas acinzentadas da malfadada poltrona. Perdida nesta abertura dialética, vejo os olhos negros castanhos, mofados pela TV clichê; perto desta, um gato decrépito pede ajuda por morte preguiçosa, sem devaneios, a mesma tranquilidade de um recife, é paz nesta guerra mental, de romances perfeitos e amores desfeitos. Forte, a espreita na porta, vive um senhor, sempre febril, capitão do mato é caçador, preso em sua rede. O requeijão estragado, alimenta os ratos, sem saída deste destino, em suma, encurralado em um mesmo caminho, sobreviventes naturais, precisa-se deste alimento, custa um sonho, custa o tempo todo de uma juventude. O velho agora é meio incauto, meliante do próprio percurso, mata o sorriso astuto, resigna por meio do sopro amargoso do vento. Emoção, é o que nos resta, um bar em um álcool qualquer pra secar essa culpa.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

A capela



  A boca seca aponta a angústia de um tempo que não está no lugar onde deveria. Fora de hora. Mas quando o verbo se flexiona em tempo, que oração? Daí não sei se espero, se desespero e sumo daqui de uma vez. Desesperar não é tão fácil na medida que se pensa, viu? Desde a praia miro a meta e estou ainda úmido da imensidão vazia que me trouxe até aqui.

  Agora é subida. Chegar - te ao cume só mesmo pra dizer:  " Venci!"  Quantas braçadas dei de lá pra cá? Deus! Não sei. Mas vim, vi e o compasso, sei, jamais me obedeceu. Ao contrário! Pois que se eu que cego busquei meu Norte onde só frio havia, vento e mais nada.

  Assim creio, hei de secar, agora mais Ilhéu do que em qualquer momento, como morto mesmo indo caminho acima. Do nada ascendenrei - e não como pira, mas como o incenso - queimando lento e tonto na pequena capela que encara de cima o enorme e invencível azul.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Continua...




Amargando estradas dicotômicas, vestígios descalabros deste falperrista, inconfundível pela idade. Sem modelos, fora de orbita, surge mais cor, acaba-se dor. Outro ciclo, mais fervor, menos pessoal, mais garagem, menos fraqueza, menos amor, proxenetismo virá rei deste barco que não sabemos guiar, índole de adolescente encantado. Fez-se duro diante da nobre maneira de viver, passou incertezas de rancor do passado e futuro, doces ilusões; quase avistei a terra ou o térreo. Seu negativo.
Vivendo deste, dou-a em mim neste cangaço empoeirado que virá (a) mar, veia humilde e pacata.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Mikania glomerata

Privo-te de tua essência, pois da morte eu seria se não me saísse do peito.

O que andam pensando de mim? Eu não posso ser isso o tempo todo!
Acamado em minha sina, abraço as intenções como remédio, a cura da minha, da tua dor; a jura de amor às pressas, o olho da rua, a casa do portão. Os atos edificados pelas palavras do coração.
Caí duas vezes na mesma armadilha e a terceira urge na boca do gato em cima do muro da solidão. E olha que contei até três para saber se tinha alguma saída; se a ponte vê o rio que corre, se a chuva sabe amar a quem molha. É, parece que tem tanta humanidade no desumano que a palavra deveria deixar de ser pejorativa.
Se sabe bem, a invenção quando criada já não é própria quando se cria. Tem forma na consciência alheia por tabela, sendo aquilo e aquilo outro, dependendo do que se patenteia. Teus olhos não possuem as mesmas minúcias, logo, os meus motivos não terão qualquer sentido para você. E eles grudam, sabe? como trepadeira usando a força de outro ser para se sentir sã. É como um blues que em baixa frequência vem repercutir seu grito.
Por fim, de mim, o maldito; bêtise por quem toma a relação como mito e vê teu senso assimilado ao caos e teu zelo tão frio quanto esta caneta que uso para escrever.
Acho que você é a ponte que não vê o rio. Ou será a chuva que nunca amou?

Assim, desse jeito, eu respiro e te escarro a ilusão do momento.


domingo, 20 de maio de 2012

* * *




Que belas flores me trazes! Desfolho uma a uma e me fica entre os dedos o úmido cheiro a morte que é   das flores tão natural. Debaixo da unha, a seiva, o sangue que delas brota. Sinto arder cada uma, como milhares de espinhos pinçando e rasgando desde estas veias tão verdes.

Ai! Quanta doçura em sinais tão despretenciosamente mórbidos, ai! Num canto do quarto esconde - se entre alvas cortinas o cântaro que sou , de onde brotam essas tais negras rosas, escuras como seus cabelos e densas como a noite só. Angustiantemente mina de minhas horas ultimamente a poesia, me secando os potes de mágoas e cancros.

O som crepitante dessa fabulosa flora se dissemina de tal maneira que a tudo abraça em sua velada sinfonia:  Não ouço sequer meu mais sentido suspiro. Observo cioso meu estrelado jardim, mansidão vegtal que sinto  pois sim, ainda me há de fazer um com o cosmos.


sábado, 12 de maio de 2012

O Norte da Lua


Há tempos não sabia o que era estar em casa. Esse zumbido, os cachorros latindo lânguidos e preguiçosos noite adentro, apenas fitando o vazio.

Parece até que a noite me pertence, ou será o contrário? Nem sei. Essa lua, essa cerveja...
Essa camisa não é minha. Essa camisa é a sua? Essa bandeira mal desfraldada, esse estandarte roto e puído?

Acontece é que lido sempre com o que é provável, por mais descabido que possa parecer. Sente isso, amor? Apenas se cale. Você é tão bonita!

Fauvismos a parte, todos sabemos: Mulheres que calam sabem de cor as tragédias que invocam.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Regionalismos endêmicos



Ver de longe a tua silhueta e saber que você não estã lá é uma dor gostosa e até engraçada. Os loucos dançam sozinhos no meio da rua. Eu te encontro, de novo e outra vez, noutros lábios e delícias que não te pertencem. É assim, sempre sobre você, passando por cima.

Sobreposições em desnível, como velhos ladrilhos de cidade velha: mova uma pedra, duas, sete pedras e tudo ainda estará lá. Como da primeira vez, como aquele antigo bar que foi nosso e que hoje nos é negado. Porque não é mais da gente. Não há mais a gente, sabe?

Sobram apenas os loucos que dançam sozinhos e falam de um amor que desconhecem. Cantam canções que não lhes pertencem, fora de hora, "brincando de papai e mamãe que se amavam livremente entre as flores". Esqueceram envergonhados como é "brincar de casinha" e embora desfrutem de leito sempre quentinho, estão constantemente sozinhos ao nascer do sol. Pior: sem Café da manhã.



        *          *          * 


Daí olho pro lado e te reconheço mais uma vez. Sinto que vai começar tudo de novo.
Mas talvez não. Essa pode ser só mais uma poesia sobre a gente, caso (ou nesse caso, casos - a cada vez um novo) muito específico. Mas talvez não. Talvez seja só mais uma poesia qualquer, de um poeta qualquer  esquecido num canto  de uma cidade velha qualquer.

  

domingo, 22 de abril de 2012

Soneto do ocaso

  













Teu batom já borrado
Tuas presas rasgadas
Como doces pegadas
No meu torso desnudo

Olho ainda cansado
Os espólios da guerra
Minha cara amassada
 E o teu hálito sujo

Tal qual Pedro e seu pé
Preto o peito que dou
O que posso e o que quer

Mal o galo cantou
Nem saiu o café
Alvorada chegou

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Samba de (Ama)dor

Assim, como do nada, tal Terpsícore, fez-se a figura dançatriz. (Re)trato, beijo pregado na cruz do meu movimento. Essência de um querer perdido em avenidas profanas.
Presente: alcunha da vida arredia que faz do fogo primazia. Tentativa do pé do-ente.
É cordão que amarra a mim. Nêga que tira uma nesga do coração quando samba assim.
Deísmo; criadora de um universo que me deixou para tratar, sem canto ou tamborim, no impulso que pulsa o batuque do meu penar.
Me faça, então, verbo, ó divina inspiração! que no sapato, cadenciado pelos acordes da viola e a invariável do teu olhar, eu vou.
E por fim, me desperte num compasso, pois te ver foi um samba tão comprido que precisei de muitas noites para sambar.


sábado, 14 de abril de 2012

Corra e pule repetidas vezes.




Tudo que amar não pensas, quando não em dinheiro, esbarra em sua falta de jogo.   Existe estrutura simbólica mas não mais resiste essência que faz deste sangue pueril, bonito, viver e criar, múltiplas possibilidades de ascensão com exânime amor em peito, perto à boca suja de alcatrão é deveras devasso, pobre meio, árido bem estar.
Ao simétrico momento em que sigo este critério; ler, ouvir, incorporar o que almeja ser o melhor, não rebate esse amargor, gotejante brotar de concreto cimentado, quanto a ilusão, brincarei de beijar-te.
Me casarei com minhas coisas, depois de assistir Fight Club.
Pouco desse amor, pois sim, perdido aforismos, não contam com pragmatismos, vivem de surpresas vil, esquecido no asfalto.

Se todo animal inspira ternura, o que houve, então, com os homens?
Guimarães Rosa